Bula Pontifícia "Mater Ecclesiae Spei" | Pela qual se convoca e proclama o Santo Ano Mariano

    

INNOCENTIUS, PAPAM
PONTIFEX MAXIMUS

AD PERPETUAM REI MEMORIAM


BULA PONTIFÍCIA
"MATER ECCLESIAE SPEI"
Pela qual se convoca e proclama o Santo Ano Mariano

A  todos os que esta declaração apostólica chegar, saudação e bênção.

A esperança que não decepciona (cf. Rm 5,5) encontra o seu fundamento em Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho eterno do Pai, que, na plenitude dos tempos, assumiu a nossa natureza humana para realizar a obra da Redenção. No admirável desígnio da Providência, Deus quis associar intimamente a Bem-Aventurada Virgem Maria ao mistério da Encarnação do Verbo, escolhendo-a, desde toda a eternidade, para ser a Mãe do Salvador. Pelo seu humilde e generoso "faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38), tornou-se a primeira discípula de Cristo, modelo da Igreja e sinal luminoso da fidelidade de Deus às suas promessas.

Ao longo da história da salvação, Maria permaneceu inseparavelmente unida ao seu Filho. Em Belém, ofereceu ao mundo o Príncipe da Paz; em Nazaré, ensinou o valor da vida escondida e do trabalho cotidiano; em Caná, conduziu os servos à perfeita obediência a Cristo; no Calvário, permaneceu de pé junto da Cruz, recebendo como filhos todos aqueles que o Senhor lhe confiava; no Cenáculo, perseverou em oração com os Apóstolos, aguardando a efusão do Espírito Santo. Assunta à glória celeste, continua a exercer a sua maternidade espiritual, acompanhando a Igreja peregrina com incessante solicitude, sustentando-a nas provações e conduzindo todos ao encontro do seu Divino Filho.

A Igreja, iluminada pela Palavra de Deus e pela Tradição Apostólica, jamais cessou de reconhecer em Maria um caminho seguro para Cristo. Toda a autêntica devoção mariana conduz ao Senhor, fortalece a comunhão eclesial, desperta o ardor missionário e favorece a santidade do povo fiel. Quanto mais contemplamos a Virgem Santíssima, tanto mais aprendemos a acolher a vontade do Pai, a viver da graça dos sacramentos, a permanecer firmes na esperança e a servir os irmãos com generosa caridade.

O  tempo presente interpela profundamente a missão evangelizadora da Igreja. As guerras, as divisões entre os povos, as diversas formas de pobreza, a solidão, o enfraquecimento da fé, as incertezas que afligem tantas famílias e os desafios culturais do nosso tempo convidam-nos a elevar novamente o olhar para aquela que o Senhor nos deu como Mãe. Maria permanece sinal de consolação e de firme esperança para todos aqueles que caminham em direção ao Reino de Deus. Sob o seu olhar materno, a Igreja encontra renovada coragem para anunciar o Evangelho, testemunhar a misericórdia e servir a humanidade com alegria.

Movidos por estas razões, depois de madura reflexão, escutando o parecer dos Pastores da Igreja e confiando plenamente na infinita misericórdia de Deus, pela autoridade que nos foi confiada como Sucessor do Apóstolo Pedro, convocamos e proclamamos o Santo Ano Mariano para toda a Igreja Universal.

Este Ano Santo terá início no dia 16 de julho, memória litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, durante a Santa Missa de inauguração da Basílica Papal de Santa Maria Maior, restaurada para maior glória de Deus e honra da Bem-Aventurada Virgem Maria. Não poderia haver lugar mais apropriado para o início deste caminho jubilar do que a mais antiga igreja do Ocidente dedicada à Mãe de Deus, venerada desde os primeiros séculos como sinal da proteção maternal de Maria sobre a Cidade de Roma e sobre toda a Igreja. Aos pés daquela que é invocada como Salus Populi Romani, desejamos confiar este tempo extraordinário de graça, para que todos os povos experimentem a ternura misericordiosa do Senhor.

A restauração da Basílica Papal de Santa Maria Maior constitui também um sinal visível da renovação espiritual para a qual toda a Igreja é chamada. Assim como as pedras do venerável templo recuperam o seu esplendor, também os corações dos fiéis são convidados a deixar-se restaurar pela graça divina mediante a conversão, a oração, a penitência e a prática constante da caridade.

Desejamos que este Santo Ano seja um tempo privilegiado para redescobrir a beleza da vida cristã. Exortamos todos os fiéis a aproximarem-se frequentemente dos sacramentos, especialmente da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação; a meditarem assiduamente a Sagrada Escritura; a cultivarem uma vida intensa de oração; a recitarem com devoção o Santo Rosário; a participarem da Sagrada Liturgia com renovado fervor e a testemunharem a fé mediante abundantes obras de misericórdia espirituais e corporais.

Convidamos os veneráveis irmãos no Episcopado a guiarem o povo que lhes foi confiado neste caminho jubilar, promovendo peregrinações, missões populares, catequeses marianas, celebrações penitenciais, momentos de adoração e iniciativas de evangelização. Aos presbíteros pedimos que sejam ministros generosos da misericórdia, zelosos anunciadores da Palavra de Deus e fiéis dispensadores dos santos mistérios. Às pessoas consagradas dirigimos o convite para renovarem, com alegria, o dom da sua vocação, tornando-se testemunhas luminosas da primazia de Deus. Aos fiéis leigos confiamos a missão de levar Cristo aos ambientes da vida familiar, profissional, cultural e social, inspirando-se na fé e na disponibilidade da Santíssima Virgem.

Desejamos ainda que este Ano Mariano desperte um renovado espírito missionário em toda a Igreja. Que ninguém permaneça indiferente diante das necessidades dos irmãos. Que os pobres, os enfermos, os idosos, os jovens, as crianças, as famílias, os migrantes, aqueles que sofrem por causa das guerras, das injustiças ou da solidão, encontrem na comunidade cristã o rosto misericordioso de Cristo e o carinho maternal de Maria.

Confiamos de modo especial este Ano Santo aos sacerdotes, para que renovem com alegria as promessas do seu ministério; às famílias, para que redescubram a beleza da oração em comum; aos jovens, para que respondam generosamente ao chamado do Senhor; e aos doentes e idosos, para que unam os seus sofrimentos ao sacrifício redentor de Cristo pelo bem da Igreja e do mundo.

As celebrações deste Santo Ano serão realizadas em toda a Igreja segundo as normas que oportunamente serão promulgadas pela Sé Apostólica, para que, em unidade de fé e de comunhão, o Povo de Deus viva este tempo de graça com fervor, dignidade e abundantes frutos espirituais. Exortamos os Pastores a prepararem cuidadosamente as comunidades que lhes foram confiadas, favorecendo a participação dos fiéis nas celebrações litúrgicas, nas peregrinações, na oração, na escuta da Palavra de Deus e nas obras de misericórdia, para que este Jubileu se torne verdadeira ocasião de conversão, reconciliação e renovação da vida cristã.

Confiamos este Santo Ano à proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora do Carmo, Mãe da Igreja, Rainha dos Apóstolos, Salvação do Povo Romano e Estrela da Evangelização. Que Ela acompanhe o caminho do Povo de Deus, fortaleça a comunhão entre os cristãos, sustente aqueles que sofrem, desperte numerosas vocações sacerdotais e religiosas, proteja as famílias e conduza toda a humanidade ao encontro de Cristo, único Salvador do mundo.

Enquanto asseguramos a nossa constante oração por todos os filhos e filhas da Igreja, concedemos de coração a Bênção Apostólica como penhor das graças celestes e sinal da nossa paterna solicitude, invocando sobre todos a abundância da misericórdia de Deus, para que, fortalecidos pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, caminhem com esperança rumo à santidade e perseverem firmes na fé até o dia em que contemplaremos eternamente a glória do Senhor.

Dado em Roma, junto de São Pedro, sob o Nosso Anel do Pescador, no décimo quinto dia do mês de julho do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis, no primeiro de Nosso Pontificado.

Innocentius Pp. II