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Decanato | Carta Pastoral "Surrexit Dominus" - Por Ocasião da Páscoa do Senhor


COLLEGII CARDINALIUM DECANATUS

DOMINUS PETRUS IOSEPHUS CARDINALIS ROVERE
DEI ET SANCTAE SEDIS APOSTOLICAE GRATIA
CARDINALIS EPISCOPUS FRASCATI ET OSTIAE
DECANUS SACRI COLLEGII CARDINALIUM


CARTA PASTORAL "SURREXIT DOMINUS"
POR OCASIÃO PÁSCOA DO SENHOR

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Amados filhos e filhas da Santa Igreja,

Surrexit Dominus vere, alleluia!” — o Senhor ressuscitou verdadeiramente!

É com espírito profundamente pascal que Nos dirigimos a todo o Povo de Deus, neste tempo em que a Igreja, peregrina na história, contempla o mistério central da fé: a vitória de Cristo sobre a morte, a consumação da esperança e o cumprimento definitivo das promessas divinas.

A Páscoa do Senhor não é apenas memória de um acontecimento pretérito, mas realidade viva e operante, que irrompe no tempo e transfigura a existência humana. Na Ressurreição, o Cristo, que se humilhou até a morte de cruz, é exaltado pelo Pai e constituído Senhor da vida e da história. N’Ele, a morte é vencida, o pecado é redimido e a humanidade é novamente elevada à comunhão com Deus.

Este mistério, insondável em sua profundidade, convida-nos a ultrapassar as aparências do mundo e a reconhecer que, mesmo em meio às dores, às incertezas e às sombras que tantas vezes envolvem a existência humana, a luz do Ressuscitado jamais se extingue. Pois, como nos ensina a Tradição, “a noite da fé prepara a aurora da glória”.

A Ressurreição é, portanto, o fundamento da esperança cristã. Não uma esperança vaga ou ilusória, mas uma certeza enraizada na fidelidade de Deus, que não abandona seu povo. É nesta esperança que a Igreja caminha, anunciando ao mundo que a vida triunfa, que o amor é mais forte que a morte e que o último sentido da existência humana não está no sofrimento, mas na glória.

Entretanto, viver a Páscoa exige também uma conversão profunda. Não se trata apenas de celebrar, mas de participar do mistério: morrer com Cristo para o pecado, para ressuscitar com Ele para uma vida nova. Cada um de nós é chamado a fazer da própria existência um testemunho da Ressurreição, refletindo, no cotidiano, a caridade, a justiça e a misericórdia que brotam do coração do Cristo vivo.

Neste tempo sagrado, elevamos também nosso olhar para a realidade presente da Igreja, que, unida em comunhão, é chamada a intensificar sua oração e sua confiança em Deus.

De modo particular, convocamos toda a Igreja a perseverar em oração pela saúde do Santo Padre, Bento II, que, acometido pela enfermidade, encontra-se impossibilitado de dirigir pessoalmente sua Mensagem Pascal e de conceder, como de costume, a solene bênção Urbi et Orbi.

Unimo-nos espiritualmente ao Sucessor de Pedro neste momento de provação, certos de que sua fragilidade física se torna, à luz do mistério pascal, sinal de comunhão com o Cristo sofredor. De seu leito, contudo, Sua Santidade não deixa de exercer sua paternidade espiritual, estendendo a todos os fiéis sua bênção apostólica e seus votos de uma Santa, feliz e abençoada Páscoa.

Seja esta circunstância ocasião para redescobrirmos o valor da oração, da unidade e da solidariedade eclesial. Pois a Igreja, Corpo de Cristo, sofre e se alegra como um só, sustentada pela graça daquele que a conduz. À luz do Ressuscitado, confiamos o Santo Padre à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, e suplicamos ao Senhor da vida que lhe conceda conforto, força e plena recuperação, segundo sua vontade divina.

A Páscoa do Senhor possa renovar em cada coração a certeza de que não caminhamos sozinhos. O Cristo vive, e caminha conosco. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, aquele que era, que é e que vem. Recebei, pois, Nossa bênção e exortação: vivei como ressuscitados, sede testemunhas da esperança e instrumentos da paz.

Feliz e Santa Páscoa!

Dado em Roma, no gabinete deste Decanato, sob o selo de nossas armas, no Domingo da Páscoa do Senhor, no Ano Domini de dois mil e vinte e seis.


 Pietro Giuseppe Rovere
DECANO