Homilia do Santo Padre,
o Papa Pio III,
por ocasião da ordenação presbiteral e diaconal
Veneráveis irmãos.
Reunimo-nos hoje nesta solene liturgia, ornada pela alegria que nos envolve, para celebrar um mistério que toca o cerne mesmo da Igreja, isto é, a ordenação de três presbíteros e de um diácono, a quem o Senhor, na sua insondável providência, chamou e consagrou para o serviço do Seu povo santo.
A Escritura Sagrada, extraída da Carta de São Paulo aos Hebreus, nos recorda que “ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus” (Hb 5,4). Assim também vós, caríssimos ordenandos, não vos apresentais por direito próprio, mas porque o Senhor vos chamou, como outrora chamou os apóstolos, para que estivésseis com Ele e para que fôsseis enviados (cf. Mc 3,14).
Pelo batismo, todos os fiéis são incorporados a Cristo e constituídos um povo real e sacerdotal, chamados a oferecer “sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pd 2,5). Este é o sacerdócio universal dos fiéis, que faz da Igreja inteira uma assembleia litúrgica, um templo vivo do Espírito.
Todavia, conforme ensina a Igreja, este sacerdócio comum se distingue essencialmente — e não apenas em grau — do sacerdócio ministerial (cf. Lumen Gentium, 10). A missão que hoje vos é confiada, filhos caríssimos, é a de serdes sinais visíveis e eficazes de Cristo, Cabeça e Pastor, para edificar e guiar o Corpo Místico.
Vós, que recebereis a graça do presbiterado, sereis configurados sacramentalmente a Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote. Santo Inácio de Antioquia, em seus ensinamentos, exprimia o presbiterato como “imagem do conselho dos apóstolos”, que carrega incomensurável responsabilidade. Portanto, missão do presbítero é anunciar a Palavra com autoridade, celebrar os santos mistérios, oferecendo todos os dias o sacrifício santo e ilibado pela salvação das almas, e apascentar o rebanho com caridade pastoral, oferecendo a própria vida em oblação.
Sede, assim, homens de oração, pois só o amigo íntimo de Deus pode ser pastor de almas. Não esqueçais que o altar é ao mesmo tempo trono de glória e tablado sacrificial: sobre ele se renova, em mistério, a oferta redentora de Cristo, à qual deveis unir a vossa própria existência.
E tu, caríssimo filho, que hoje recebes o diaconato, lembra-te de que és configurado a Cristo Servo, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). A ti se confia a diaconia da Palavra, do Altar e da caridade. A Igreja te chama a ser ícone vivo do Cristo que se cinge com a toalha para lavar os pés do povo santo de Deus, gesto de humildade incondicional. (cf. Jo 13,4-5).
Estimados eleitos, que na vossa vida ressoe sempre a palavra do Apóstolo São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”, para serem sinais de doação e do amor de Deus ao mundo. (Gl 2,20). Recordai-vos de que o vosso ministério não é para vós, e a vossa vida, também, não mais para vós, mas para o Povo de Deus, a quem sois enviados.
E a vós, povo santo aqui reunido, a missão de sustentar sempre estes vossos novos ministros com a oração constante, para que, fortalecidos pela graça do Espírito e amparados pela vossa assistência, possam perseverar até o fim de suas vidas.
Que a Gloriosa Sempre Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por vós por toda vida, para que possais alcançar o prêmio eterno, ao final da corrida que vos é proposta.
Amém.


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