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Città del Vaticano | Edizione del 26 maggio 2025NO VATICANO, SILÊNCIOS QUE ECOAM
PAPA URBANO E O DISTANCIAMENTO DO CARDEAL LUDONE IMPRESSIONAM A CÚRIA ROMANA
Cidade do Vaticano – Nem todos os conflitos da Igreja são travados com bulas e excomunhões. Alguns se expressam em gestos, omissões e silêncios — particularmente eloquentes no atual cenário da Sé Apostólica. É nesse contexto que se inscreve o crescente desconforto do Papa Urbano diante da postura do Cardeal Ludone, seu Secretário de Estado e Camerlengo, cuja ausência sistemática da vida pastoral e evangelizadora tem gerado inquietação dentro e fora dos muros do Vaticano.
A relação entre o Santo Padre e o Cardeal Ludone, outrora cordial, tem se tornado, nos bastidores da Santa Sé, visivelmente tensa. Urbano, conhecido por seu zelo pelas almas e por seu esforço em manter uma presença constante nos eventos públicos, parece cada vez mais só em sua missão pastoral. O Cardeal Ludone, por sua vez, tem se restringido, ainda que de forma ociosa, a atividades de gestão, diplomacia e administração, sempre em nome da estabilidade institucional, mas raramente em nome da caridade visível.
Fontes internas revelam que, sob a superfície da ordem curial, começam a se formar facções com lealdades divididas. A figura de Ludone tornou-se um ponto de coesão para uma ala mais burocrática da Cúria, que privilegia o controle dos dossiês, os circuitos financeiros e a gestão de poder, frequentemente em detrimento da ação evangelizadora. Essa nova “escola de influência” — como já tem sido chamada informalmente — opera com discrição, mas vem assumindo postos-chave na engrenagem vaticana, moldando decisões, sufocando reformas e travando iniciativas pastorais oriundas do Papa.
Não bastasse o distanciamento, pairam também rumores persistentes — ainda que envoltos no manto da confidencialidade — sobre gestões irregulares de fundos e favorecimentos na nomeação de certos dicastérios. Nada provado, por ora, mas o suficiente para gerar um mal-estar latente e crescentes pedidos de auditoria entre os conselheiros mais próximos do Pontífice.
Entre os observadores da Cúria, não passou despercebido o fato de que o Camerlengo sequer participou, nos últimos meses, de eventos fundamentais da agenda litúrgica pontifícia — como a Semana Santa, os encontros do Jubileu da Esperança ou as Visitas Apostólicas — salvaguarda quando esta exige sua presença, como foi com o Sacro Império. A ausência foi notada, e comentada, ainda que com a cortesia habitual da diplomacia eclesial.
Fontes próximas ao Papa indicam que ele tem expressado “preocupação pastoral” — expressão elegante que, na linguagem da Santa Sé, pode ser lida como uma forma velada de censura. Não se trata de uma ruptura aberta, mas de uma desconexão cada vez mais difícil de disfarçar. Urbano deseja uma Igreja que se faça presente “onde dois ou três estão reunidos em Seu nome”; Ludone parece acreditar que a salvação passa, antes, pelo seu gabinete.
A Santa Sé, por enquanto, mantém-se unida — mas não necessariamente sintonizada. A fidelidade institucional ainda sustenta a fachada da comunhão, mas os corredores do Vaticano já sussurram sobre uma “dupla administração” na Igreja. O Cardeal Ludone permanece firme em sua função, protegido por sua competência organizacional, por sua teia de aliados e pela tradição curial. O Papa Urbano segue rezando, pregando e indo onde for possível, na esperança de que a evangelização não seja substituída pela mera gestão de acessos — nem pela corrosiva política de bastidores.
E assim, entre o ritmo da fé e os protocolos do poder, segue-se mais um capítulo da sempre complexa administração do rebanho — agora e pelos séculos dos séculos, também, nas relações interpessoais.


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