Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Caríssimos irmãos e irmãs!
Reunidos nesta solene eucaristia, ouvimos ecoar, nesta Basílica, o belíssimo salmo 41: “Como a corça suspira pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por vós, ó Deus.” Esta imagem poética reflete a sede profunda da alma humana pelo Divino, que nada neste mundo pode saciar. Somos seres criados por Deus e para Deus, e nosso coração está inquieto enquanto não repousa Nele. Trata-se, antes de tudo, de uma sede de relação, de comunhão íntima com o Criador, que conhece e ama cada um de nós.
No entanto, a nossa jornada em busca da satisfação dessa sede divina nem sempre é linear ou isenta de obstáculos. No texto evangélico, Jesus retorna à sua terra natal e, na sinagoga de Nazaré, anuncia a Boa Nova, revelando-se como o cumprimento das profecias. Nosso Senhor, contudo, enfrenta a incredulidade dos seus conterrâneos. “Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem aceito em sua própria terra” (Lc 4, 24). A rejeição dada a Jesus por seus conterrâneos simboliza a resistência humana frente ao mistério do Deus que se revela. O episódio de Nazaré nos ensina que a fé não é um caminho tranquilo de aceitação inquestionável, mas um percurso que envolve luta, questionamento e, por vezes, confronto.
Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, diante deste Evangelho, somos chamados a refletir sobre nossa própria abertura à verdade de Deus. A fé verdadeira exige de nós uma abertura de coração e mente, um desejo sincero de buscar Deus acima de todas as coisas e de acolher Sua Palavra, mesmo quando ela nos confronta. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, modelo de fé e obediência ao Pai, inspire-nos a acolher com coragem a vontade Deus em nossas vidas.
Por fim, neste dia de júbilo, elevemos ao Altíssimo nossas preces de gratidão pelo dom da vocação e pela perseverança de nosso venerável Cardeal Decano, Dom Angelo Baglioni, que completa um decênio de episcopado. Que Deus possa recompensá-lo, assim como recompensa a seus servos fieis, conferindo-lhe a plenitude das bênçãos celestiais e a fortaleza necessária para continuar sua missão evangelizadora com zelo apostólico e sabedoria pastoral. Assim seja.
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