Homilia do Papa João | Santa Missa na Quarta-feira de Cinzas

HOMILIA DE SUA SANTIDADE JOÃO

SANTA MISSA, BÊNÇÃO E IMPOSIÇÃO DAS CINZAS


Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 14 de janeiro de 2024
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Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Amados irmãos e irmãs!

Iniciando o tempo sagrado da Quaresma, somos marcados pelo sinal das cinzas, que nos recorda a finitude e fragilidade da vida humana e à necessidade de conversão. Viemos do pó e ao pó voltaremos (cf. Gn 3, 19). As leituras bíblicas da celebração de hoje oferecem-nos, portanto, indicações de como viver em plenitude esta experiência quaresmal rumo à Páscoa do Senhor.

“Voltai para o Senhor, vosso Deus” (Jl 2, 13). Estas palavras, retiradas do livro do profeta Joel, impele-nos à uma conversão autêntica. É necessário que, desde o mais íntimo de nosso ser, voltemo-nos para Deus, confiando em sua misericórdia. Não se trata, contudo, de uma conversão aparente e superficial, mas de uma transformação interior que nos leve a “rasgar o coração” (Jl 2, 13), isto é, a abandonar o pecado e nos aproximar de Deus com sinceridade.

“Deixai-vos reconciliar com Deus” (cf. 2 Cor 5, 20). Assim, o Apóstolo São Paulo nos convida a estarmos abertos à ação de Deus, que nos ama e deseja nosso bem. Em Sua infinita misericórdia, Deus não busca a morte do pecador, mas sim sua conversão e vida plena (cf. Ez 33, 11). A verdadeira conversão resulta, portanto, de um “coração constrangido” (Sl 51, 19), atraído e movido pela graça a corresponder ao amor misericordioso de Deus.

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles” (Mt 6, 1). Com estas palavras, Jesus alerta aos seus discípulos sobre o perigo de fazermos boas ações buscando a aprovação e a admiração dos outros, em vez de agirmos com sinceridade e retidão perante Deus. A vaidade, que conduz à ostentação e à hipocrisia, rouba a autenticidade da justiça cristã, retirando-lhe sua essência desinteressada e sua pureza, que busca exclusivamente agradar a Deus.

Queridos irmãos e irmãs, quarenta dias nos separam da Páscoa. Que neste itinerário quaresmal possamos dedicarmo-nos mais intensamente à oração e à penitência, abrindo-nos à ação salvífica de Deus. Acompanha-nos neste tempo a Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todo o verdadeiro discípulo do Senhor. Assim seja!


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