Discurso | Acolhida aos Bispos na Visita Ad Limina Apostolorum

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Cidade do Vaticano, 04 de novembro de 2026.

Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal Romeo Bellini, Prefeito do Dicastério para os Bispos;

Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Arcebispos e Bispos;

Amados irmãos no episcopado, graça e paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo!

É com grande alegria e sincero afeto fraterno que, em nome da Santa Sé, vos acolho nesta noite, por ocasião da Visita Ad Limina Apostolorum.

Antes de qualquer consideração, desejo manifestar nossa gratidão pelo trabalho que cada um realiza nas Igrejas particulares que lhe foram confiadas. Sabemos que não são poucos os desafios do ministério episcopal e que, por trás de cada diocese, existem histórias, esperanças, preocupações e sacrifícios silenciosos que nem sempre chegam ao conhecimento desta Cúria Romana.

Por isso, meus irmãos, não viestes a Roma simplesmente para apresentar relatórios, demonstrar resultados ou prestar contas de vossa administração. Viestes, sobretudo, compartilhar a vida de vossas Igrejas, renovar os vínculos da comunhão e experimentar a proximidade do Sucessor de Pedro.

O Diretório para a Visitatio ad Limina Apostolorum, promulgado pela Congregação para os Bispos em 2024, recorda que esta visita não constitui mera formalidade, mas uma ocasião privilegiada para partilhar experiências, dificuldades e esperanças.

E isso nos convida a uma reflexão necessária: de que serviria uma Igreja perfeitamente organizada em suas estruturas, mas incapaz de se aproximar daqueles a quem foi chamada a servir?

A Igreja não existe para conservar títulos, multiplicar decretos ou engrandecer aqueles que nela exercem autoridade. Ela existe para anunciar Jesus Cristo, sustentar os fracos, reunir os dispersos e testemunhar a misericórdia de Deus.

O Santo Padre, o Papa Inácio I, em sua Bula de Nomeação ao Arcebispado do Rio de Janeiro, recordou que o Bispo é constituído mestre da fé, santificador do povo de Deus e princípio visível de unidade.

Permiti-me, portanto, uma consideração: uma mitra pode identificar um bispo, mas não revela a qualidade de seu pastoreio. Um báculo pode representar sua autoridade, mas são suas atitudes que demonstram se verdadeiramente sabe conduzir, amparar e procurar as ovelhas que lhe foram confiadas.

O verdadeiro pastor não é aquele que nunca encontra dificuldades, mas aquele que, mesmo diante delas, não abandona o rebanho.

Meus irmãos, o Papa Inácio, ao assumir o ministério petrino, apresentou à Igreja o seu lema: No Coração de Cristo. É neste coração que devemos aprender a olhar para nossas comunidades, reconhecendo que nenhum de nós é proprietário da missão que recebeu. Somos servidores, chamados por um tempo a cuidar daquilo que pertence exclusivamente ao Senhor.

E é precisamente neste espírito que vos acolhemos.

Que Roma não seja para vós apenas o centro do governo da Igreja, mas a casa da comunhão. Que aqui encontreis não somente a solenidade das tradições apostólicas, mas também a proximidade, a escuta e o afeto fraterno.

Ao visitar os túmulos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, recordai-vos de que a Igreja não foi edificada sobre a grandeza humana, mas sobre o testemunho daqueles que entregaram a própria vida por Cristo.

Ao encontrar o Santo Padre, levai não apenas as realizações de vossas dioceses, mas também suas feridas, necessidades e esperanças.

E, ao regressar às vossas Igrejas particulares, levai a certeza de que não estais sozinhos.

Por fim, desejo fazer-vos um pedido fraterno: não permitais que a rotina do governo vos faça perder a alegria de ser pastores. Escutai o vosso clero, acompanhai os que estão chegando, tende paciência com os que estão aprendendo e, acima de tudo, não deixeis que a preocupação com a instituição vos faça esquecer as pessoas que dão sentido à sua existência.

Que a Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja, acompanhe esta visita, e que os Santos Apóstolos Pedro e Paulo fortaleçam a vossa fidelidade.

Sede, portanto, muito bem-vindos a Roma. Sede bem-vindos à casa de Pedro. Que aqui encontreis a alegria de pertencer a uma Igreja que, apesar de suas dificuldades, continua caminhando unida, sustentada pela fé, pela esperança e pela caridade.

Muito obrigado. Que Deus vos abençoe!

Em fraterna comunhão no Senhor,
D. Frei Gianfranco Luigi card. Roncalli, OFM
Por providência divina e da Sé Apostólica,
Cardeal-Bispo di Frascati
SECRETÁRIO DE ESTADO DO VATICANO