IGNATIUS, EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
PRÆFECTURA PONTIFICALIS DOMUS
Prefeitura da Casa Pontifícia
Reflexão Pontifícia diante do Ícone
Caríssimos irmãos e irmãs, a PAZ esteja convosco!
A memória de Nossa Senhora do Rosário nos convida a contemplar Maria como aquela que, unida à missão de seu Filho Jesus, conduz a Igreja pelo caminho da oração e da contemplação dos mistérios da salvação. Ao recordar o Santo Rosário, recordamos também a importância de colocar a vida nas mãos de Deus, meditando os acontecimentos da vida de Cristo com o olhar e o coração de Maria. Como bem nos lembra São Bernardo de Claraval, Maria é a porta da salvação, é graças ao seu “faça-se”, que é selada a nova aliança de Deus com seu povo, derradeiramente consumada na paixão, morte e ressurreição de Cristo seu filho. Ao mesmo tempo que olhamos para a santidade de Maria, concedida por graça de Deus, o seu SIM, nos recorda a humanidade desta mulher, como tantas outras, com suas limitações e dons, certamente, mas em tudo uma serva aprendiz. Em seu filho, é educadora enquanto aprendiz, é mãe enquanto filha, é rainha e serva.
A genealogia de Jesus traça perfeitamente a mão de Deus agindo em meio ao seu povo. Não é apenas uma extensa lista, mas são os instrumentos necessários para o episódio do menino deitado em uma manjedoura, mais tarde, erguido na Cruz. Maria, com o seu SIM generoso, permitiu que Deus cuidasse desta história, onde ainda hoje, tantos outros instrumentos entram nesta lista, para que se renove a aliança pelos tempos, e se eternize o memorial do Filho até sua vinda. Pois como nos encerra o evangelho, “Deus está conosco”. Nesta honrosa festa, entronizamos solenemente nesta Basílica a ela dedicada, o Ícone da Salus Populi Romani - Protetora do Povo Romano -. A tradição atribui a imagem a São Lucas evangelista, nele Nossa Senhora aparece em pé, trazendo em seus braços o Menino Jesus, demonstrando sua maternidade cuidadora. É por esse cuidado maternal que ao longo da história a Basílica é ponto de peregrinação dos Papas, nas mais diversas circunstâncias, quando recorrem ao auxílio da virgem. Para mim, é particularmente significativo ter como um dos primeiros lugares visitados esta Igreja. Nesta Basílica, Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, à qual carrego a inspiração, celebrou sua primeira Missa, na noite de Natal de 1538. Desejo aqui, neste Ano Mariano decorrente, consagrar a ela nosso pontificado, para que apresente ao Pai, em “bandeja de ouro”, as preces desta Igreja peregrina. Tenhamos nela um modelo de filialidade, fraternidade, obediência e confiança, lembrando… Não é possível mantermos uma relação filial com Maria e pensarmos apenas em nós mesmos, nos nossos problemas. Não podemos permanecer em relação íntima com a Virgem e ter problemas pessoais carregados de egoísmo. Isso leva à dispersão. Maria, Medianeira de graça, sempre vigilante e atenta a todos os seus filhos, obtenha para toda a humanidade o dom da concórdia e da paz. Confio todos os habitantes de Roma, especialmente os idosos, os doentes, as pessoas sós e em dificuldade, à intercessão maternal de Maria Salus Populi Romani. Que Ela, Virgem da ternura e da consolação, fortaleça a fé, a esperança e a caridade para irradiar no mundo o amor e a misericórdia. Com estes sentimentos, asseguro as minhas orações e, concedo a minha Bênção.
Roma, 07 de Outubro de 2026.


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