Praefectura Pontifcalis Domus | Homilia do Papa Inácio na Audiência Geral de 01/10/26 na Praça de São Pedro

 

IGNATIUS, EPISCOPUS
 
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM 
 
 

PRÆFECTURA  PONTIFICALIS  DOMUS
Prefeitura da Casa Pontifícia

 
AUDIÊNCIA EM 01 DE OUTUBRO DE 2026
Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja
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Amados irmãos e irmãs aqui reunidos, a paz esteja com vocês!

Que alegria iniciarmos este mês missionário, com grandes festividades ao limiar, como o Jubileu Franciscano.

Hoje a Igreja nos reúne com particular alegria para celebrar uma jovem santa, talvez pequena aos olhos do mundo, mas cuja vida alcançou uma grandeza espiritual que toca milhões de corações através das gerações. Celebramos com honra, Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, um sinal no mundo de que Deus realiza grandes coisas através de vidas que, aos olhos humanos, parecem pequenas. 

Teresinha nasceu em Alençon, na França, em 1873. Era a última filha de Luís Martin e Zélia Guérin. Cresceu em uma família profundamente marcada pela fé e pelo amor a Deus. Ainda muito jovem, sentiu no coração o desejo de entregar toda a sua vida a Cristo. Aos quinze anos, depois de uma árdua e longa luta para conseguir autorização, entrou no Carmelo de Lisieux. Ali viveu "escondida", não realizou grandes viagens missionárias, não fundou obras grandiosas, não ocupou cargos importantes, não pregou para multidões. Viveu na simplicidade do claustro e, contudo, tornou-se uma das grandes mestras da espiritualidade cristã. Como é possível? Porque Teresinha descobriu algo fundamental: A santidade não depende da grandeza das obras, mas da grandeza do amor com que as realizamos.

Ela compreendeu que não precisava realizar coisas extraordinárias para amar a Deus, bastava fazer com amor aquilo que a vida cotidiana lhe apresentava. Uma pequena renúncia, uma palavra paciente, um serviço escondido, uma oração silenciosa, um sorriso oferecido quando não havia vontade de sorrir, uma dificuldade suportada com confiança, tudo podia tornar-se uma oferta de amor. 

Aqui está uma mensagem extraordinariamente atual, pois vivemos em uma época que muitas vezes nos ensina a procurar aquilo que é grande, visível, admirado e compartilhado. Somos tentados a pensar que somente aquilo que aparece tem valor. Teresinha nos recorda: Deus vê aquilo que ninguém vê. O mundo pode não perceber uma oração feita em silêncio, pode não conhecer uma lágrima oferecida por alguém, pode não aplaudir um gesto de perdão, pode não saber de um sacrifício realizado por amor, mas Deus conhece, diante d'Ele, nenhuma pequena obra de amor é pequena.

Há uma passagem particularmente bela na história espiritual de Teresinha. Ela procurava compreender qual era a sua missão dentro da Igreja, queria saber qual era o seu lugar e, meditando sobre São Paulo, encontrou sua resposta: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”. Ela não escolheu ser importante, escolheu amar. Eis o coração de toda a sua espiritualidade.

A Igreja precisa de teólogos, missionários, sacerdotes, religiosos, catequistas, pais, mães, jovens, trabalhadores, professores, etc. Mas, acima de tudo, precisa de pessoas que amem, porque sem amor, até as melhores obras podem tornar-se vazias, e com amor, até uma pequena ação pode tornar-se uma grande oferta a Deus.

A espiritualidade de Santa Teresinha é atual porque ela toca uma necessidade humana: a necessidade de sermos amados e de encontrar sentido naquilo que fazemos. Vivemos em uma sociedade marcada pela velocidade, tudo precisa ser imediato, queremos respostas rápidas, resultados rápidos, reconhecimento rápido. Teresinha nos ensina a lógica do crescimento silencioso: Uma árvore não cresce porque alguém fica olhando para ela todos os dias, ela cresce silenciosamente. Assim também acontece com a santidade, nem sempre percebemos o que Deus está realizando em nós, por isso, não devemos desprezar os pequenos passos, uma oração hoje, um perdão hoje…A santidade é construída também assim: um pequeno amor depois do outro.

Nesta festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, peçamos uma graça muito simples: Senhor, ensina-nos a amar nas pequenas coisas. E quando perguntarmos qual é o nosso lugar na Igreja, ajuda-nos a descobrir, como Teresinha: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor.”