Praefectura Pontifcalis Domus | Homilia do Papa Inácio por ocasião da subida à cátedra em São João de Latrão

 

IGNATIUS, EPISCOPUS
 
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM 
 
 

PRÆFECTURA  PONTIFICALIS  DOMUS
Prefeitura da Casa Pontifícia

 
HOMILIA EM 21 DE SETEMBRO DE 2026
Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista 
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Caríssimos irmãos e irmãs, que grandiosa alegria estarmos aqui hoje reunidos, neste momento solene em que me assento à cátedra como Bispo de Roma, nesta basílica histórica de São João de Latrão, na Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista.

No trecho que ouvimos na leitura breve, destaco uma frase deste texto de São Paulo que merece ficar guardada em nossos corações: “Já não sois estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus.”

A Igreja de Cristo, fundada sobre os apóstolos, não se resume a um edifício material; sua preciosidade é a comunhão, constituída na herança eucarística dada na Última Ceia. Nela, somos um só corpo! E, pertencendo a esse corpo, não somos mais estranhos: sabemos a família em que fomos inseridos, temos identidade e, mais ainda, o Senhor sabe quem somos, olha-nos e ama-nos!

Uma casa pode ser muito bonita, pode ter paredes fortes, janelas bonitas, uma bela fachada. Mas, se não tiver um bom fundamento, cedo ou tarde ela começa a apresentar rachaduras. A nossa vida também é assim. Podemos construir nossa vida sobre dinheiro, reconhecimento, sucesso, opiniões, cargos, amizades ou até sobre nossas próprias forças. Mas tudo isso passa. É sobre Ele que a nossa vida precisa estar construída.

São Mateus, que hoje festejamos, ensina-nos sobre isso. Mateus era cobrador de impostos, alguém visto com desconfiança e desprezo pelo povo de sua época. Mas, sentado à mesa da coletoria, ouviu de Jesus a simples e decisiva expressão: “Segue-me.” Jesus enxergou Mateus para além daquilo que ele era aos olhos das pessoas. Onde muitos viam apenas um cobrador de impostos, Jesus viu um discípulo, um apóstolo e um evangelista.

Depois do chamado, Mateus não ficou preso ao seu passado. Sua vida tornou-se testemunho de que um encontro verdadeiro com Cristo pode mudar o rumo de uma pessoa. Aquele que antes estava sentado à mesa dos impostos passou a anunciar a Boa-Nova: foi ele incorporado à família de Deus. Uma pedra não é igual à outra. Cada uma tem seu tamanho, sua forma, sua característica. Mas o construtor sabe onde cada pedra deve estar.

Somos família de Deus e precisamos aprender a fazer com que os outros se sintam família. Que ninguém saia de nossas comunidades pensando: “Aqui não há lugar para mim”. Que as nossas palavras acolham. Que os nossos gestos aproximem. Que a nossa fé não seja um muro, mas uma ponte. E que, quando alguém olhar para nós, possa perceber que existe algo diferente: uma comunidade onde Cristo é a pedra principal e onde há lugar para todos.

Neste dia, peço a cada um dos irmãos aqui presentes que nossa família seja uma sinfonia, um coro que glorifique as obras do Senhor, que em todo o tempo são realizadas em nosso meio como sinais de seu amor.