Caríssimos irmãos e irmãs, que grandiosa alegria estarmos aqui hoje reunidos, neste momento solene em que me assento à cátedra como Bispo de Roma, nesta basílica histórica de São João de Latrão, na Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista.
No trecho que ouvimos na leitura breve, destaco uma frase deste texto de São Paulo que merece ficar guardada em nossos corações: “Já não sois estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus.”
A Igreja de Cristo, fundada sobre os apóstolos, não se resume a um edifício material; sua preciosidade é a comunhão, constituída na herança eucarística dada na Última Ceia. Nela, somos um só corpo! E, pertencendo a esse corpo, não somos mais estranhos: sabemos a família em que fomos inseridos, temos identidade e, mais ainda, o Senhor sabe quem somos, olha-nos e ama-nos!
Uma casa pode ser muito bonita, pode ter paredes fortes, janelas bonitas, uma bela fachada. Mas, se não tiver um bom fundamento, cedo ou tarde ela começa a apresentar rachaduras. A nossa vida também é assim. Podemos construir nossa vida sobre dinheiro, reconhecimento, sucesso, opiniões, cargos, amizades ou até sobre nossas próprias forças. Mas tudo isso passa. É sobre Ele que a nossa vida precisa estar construída.
São Mateus, que hoje festejamos, ensina-nos sobre isso. Mateus era cobrador de impostos, alguém visto com desconfiança e desprezo pelo povo de sua época. Mas, sentado à mesa da coletoria, ouviu de Jesus a simples e decisiva expressão: “Segue-me.” Jesus enxergou Mateus para além daquilo que ele era aos olhos das pessoas. Onde muitos viam apenas um cobrador de impostos, Jesus viu um discípulo, um apóstolo e um evangelista.
Depois do chamado, Mateus não ficou preso ao seu passado. Sua vida tornou-se testemunho de que um encontro verdadeiro com Cristo pode mudar o rumo de uma pessoa. Aquele que antes estava sentado à mesa dos impostos passou a anunciar a Boa-Nova: foi ele incorporado à família de Deus. Uma pedra não é igual à outra. Cada uma tem seu tamanho, sua forma, sua característica. Mas o construtor sabe onde cada pedra deve estar.
Somos família de Deus e precisamos aprender a fazer com que os outros se sintam família. Que ninguém saia de nossas comunidades pensando: “Aqui não há lugar para mim”. Que as nossas palavras acolham. Que os nossos gestos aproximem. Que a nossa fé não seja um muro, mas uma ponte. E que, quando alguém olhar para nós, possa perceber que existe algo diferente: uma comunidade onde Cristo é a pedra principal e onde há lugar para todos.
Neste dia, peço a cada um dos irmãos aqui presentes que nossa família seja uma sinfonia, um coro que glorifique as obras do Senhor, que em todo o tempo são realizadas em nosso meio como sinais de seu amor.

AGENDA PAPAL