Praefectura Pontifcalis Domus | Homilia do Papa Inácio na Missa de Entronização Pontifícia

 

IGNATIUS, EPISCOPUS
 
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM 
 
 

PRÆFECTURA  PONTIFICALIS  DOMUS
Prefeitura da Casa Pontifícia

 
HOMILIA EM 14 DE SETEMBRO DE 2026
Festa da Exaltação da Santa Cruz 
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Estimados irmãos e irmãs aqui presentes, eminentíssimos irmãos cardeais, bispos, sacerdotes, leigos e leigas consagradas, autoridades vindas de diversas nações, a todos eu saúdo com muita alegria, desejo que a graça,  a misericórdia e paz  estejam convosco.

Ao estender meu olhar sobre o rebanho do Senhor aqui presente, fico comovido diante da magnitude da missão pastoral a mim confiada como sucessor de Pedro. O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus em diálogo com seus discípulos, e duas perguntas: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”, e “E vós, quem dizeis que Eu sou?” 

A primeira dirige-se a compreender o senso comum da comunidade a seu respeito, e as respostas obtidas remetem às promessas do passado, os discípulos propagam aquilo que ouviram através do povo. As compreensões demonstram que Jesus não era identificado ainda como aquele que havia de ser enviado da parte do Pai para cumprir as promessas da lei.

A segunda pergunta foge do âmbito geral, e vai ao encontro dos que experimentaram dividir a caminhada com Jesus, aqueles que deveriam verdadeiramente o reconhecer. Essa pergunta é fundamental para que a Igreja de Jesus comece a tomar sua identidade, Pois temos não apenas a profissão de fé de São Pedro, mas a promessa de edificação, da parte de Jesus, de seu corpo, a Igreja, porta pelo qual seu rebanho congregado, vive sua fé para alcançar o céu.

Exatamente nessa ocasião, São Pedro recebe a luz da graça de Deus para professar a fé e dizer: “Tu és o Cristo”. Mesmo nesta profissão, o conhecimento da missão de Jesus ainda não era pleno, portanto, após a bela profissão de Pedro, Nosso Senhor mostra não só quem Ele é, mas também o que veio fazer neste mundo: sofrer muito, ser rejeitado, ser morto e ressuscitar redimindo os nossos pecados e arrancando-nos do fogo eterno para nos conduzir ao Céu. 


Não basta apenas saber quem Ele é, mas também compreender para que Ele veio. Irmãos, somos chamados a fazer mais do que inflar palavras sobre Jesus e sua missão, mas somos convocados à fazer com ele uma experiência verdadeira de amizade, de comunhão. É na comunhão, na escuta, na atenção, na sensibilidade, que seremos capazes de reconhecer que a missão redentora do Cristo é atual, não se esgotou no sacrifício da cruz. Será plena no céu, será plena se estivermos dispostos a sofrermos com Ele na cruz. Tomarmos ela nos ombros, confiando que o Senhor nos dará um Cirineu como apoio.


Caríssimos, diante da Cátedra de Pedro, reconheço minhas limitações humanas, minha fragilidade, a cruz que assumi ao acolher este chamado tem seu peso, mas ao olhar para vós, ergo a cabeça, pois tenho plena confiança no Senhor que me apresenta a cada um como um Cirineu nesta caminhada. Desejo convosco realizar um pontificado marcado pela apresentação da face amorosa do Pai, seguindo o lema que escolhi: “No Coração de Cristo”. Nele estamos todos nós.


No Coração de Cristo, todos os medos, todas as vaidades, tudo se converte em serviço. O Pálio Pastoral recorda o ofício pleno de pastor, que conduz seu rebanho nos ombros, com amor. O Anel do Pescador mostra que, o pontífice, assume o ofício Petrino de lançar as redes, pescar almas santas para povoar os campos celestes. Nesta obra, cada operário é fundamental. 


Por isso, ajudem-me a edificarmos cada vez mais nossa amada e preciosa Igreja, conservando a Tradição, o Depósito da Fé, e olhando os desafios. Por Cristo, Com Cristo e em Cristo, o mal não nos afligirá! Nossa fé está edificada na rocha! Que nossa fé seja a chave para continuarmos a ligação entre céu e terra. Amém.