Homilia do Santo Padre, o Papa Bento III, por ocasião de sua primeira Missa como Pontífice


HOMILIA DO SANTO PADRE, 

O PAPA BENTO III, 

POR OCASIÃO DE SUA PRIMEIRA MISSA COMO PONTÍFICE

Venerados Irmãos Cardeais,
Caríssimos Irmãos e Irmãs em Cristo.
Homens de boa vontade!

Graça e paz em abundância para todos vós.

Dois sentimentos ímpares coabitam, agora, em meu coração. O primeiro, com temor e tremor, expressa a total submissão aos desígnios de Deus, que tudo sabe. Ele, olhando para a miserabilidade do meu ser, escolheu-me pequeno dentre tantos mais dignos que eu, chamando-me a colaborar com o serviço de pastorear o seu rebanho. O segundo expressa a confiança que minha dependente alma deposita n'Ele, de que não estarei só nesse caminho, contando com seu auxílio divino e proteção que podemos sentir palpavelmente.

Ouvimos, há pouco, no Evangelho, uma pergunta que se repetiu três vezes na boca de Jesus ao Apóstolo Pedro. Nessas três vezes, a pergunta foi respondida de maneiras distintas. Na primeira vez, aquele homem que ouvira as palavras do Mestre respondera uma pergunta que o pegou quase que desprevenido, de modo instantâneo e mecânico, como uma resposta óbvia ao que deveria ser a maneira correta de se responder ao Mestre. "Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?", respondendo disse: "Sim, Senhor! Tu sabes que eu te amo!". E ao final, o convocou: "Apascenta as minhas ovelhas."

A segunda pergunta causou estranheza, e com desconfiança foi respondida: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?". Respondendo, disse: "Sim, Senhor! Tu sabes que eu te amo!". Então, novamente, Jesus repetiu aquele mesmo pedido de apascentar as ovelhas.

Na terceira pergunta, Pedro já tinha compreendido aquilo que Jesus queria dizer-lhe profundamente, e que confirmava cada vez, naquelas três indagações, a sua própria missão de pastorear e confirmar os seus irmãos. Por isso, a resposta foi mais profunda e convicta: "Senhor, tu sabes tudo. Tu sabes que eu te amo." Neste momento, aprouve o Mestre da resposta e estabeleceu seu propósito, fim último.

A todos nós, que sucedemos o Bem-Aventurado Apóstolo, Jesus continua todos os dias a sussurrar esta mesma pergunta: "Tu me amas?". Pois, não há serviço e entrega total sem amor. Sem o verdadeiro amor, o que é missão se torna vaidade, penitência dos fracos. Eis a grande beleza deste primado apostólico: amar a Cristo de tal modo que, obedecendo o seu mandato, ofereçamos a nossa própria vida como oblação aos irmãos no exercício deste serviço.

Que sejamos fortalecidos nesta grande missão de guiar esta barca, a Igreja de Deus, para águas profundas onde, mesmo na tempestade, possamos enxergar, através da escuridão, a silhueta resplandecente do Salvador dos homens, que os conduz para águas tranquilas, onde podem encontrar a Sua verdadeira paz.

E a todos vós, que elevais a magnanimidade desta solene celebração: graças pela comunhão e fidelidade dispensada ao Sucessor de Pedro. Não atribuindo mérito algum a minha pessoa, para que seja acolhido de tal modo, mas compreendendo que este cuidado passa pela missão de suceder o Príncipe dos Apóstolos, manifesto minha profunda gratidão, e desejo contar convosco na edificação do Corpo de Cristo, que é a Sua Sacrossanta Igreja.

A Virgem Maria, cooperadora da salvação, nos acompanhe com sua maternal assistência, sendo refúgio em todas as tribulações, para que cumpramos com excelência a incumbência de Cristo.