Ao caríssimo Arcebispo Carlo Mancini, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, por ocasião do I Sínodo Arquidiocesano daquela grei, saudação e bênção apostólica.
Com íntima alegria espiritual e com o coração voltado para Aquele que é o Princípio e o Fim de todas as coisas, dirigimo-Nos a Vossa Excelência Reverendíssima e, por seu intermédio, a todo o clero e ao povo fiel confiado à vossa solicitude pastoral, por ocasião da celebração do I Sínodo Arquidiocesano do Rio de Janeiro, que se realiza entre os dias 20 e 25 deste mês, como tempo favorável de escuta, discernimento e renovação eclesial.
Este acontecimento sinodal, amadurecido no seio da Igreja particular e sustentado pela oração perseverante, inscreve-se naquela dinâmica profunda pela qual o Espírito Santo conduz a Esposa de Cristo “à verdade plena” (cf. Jo 16,13), purificando-lhe os afetos, esclarecendo-lhe os caminhos e reconduzindo-a, em cada época, à simplicidade luminosa do Evangelho. Um sínodo não nasce da multiplicidade de vozes, mas da docilidade comum à Voz que fala no íntimo da Igreja.
A luz desta convicção, desejamos recordar, com particular ênfase, a palavra do Senhor pronunciada na casa de Betânia, que também serviu de eixo à Nossa encíclica Unum est necessarium (Lc 10,42). Nesta afirmação, de densidade inesgotável, Cristo não apenas estabelece uma hierarquia de valores, mas revela o centro secreto de toda vida eclesial: a primazia absoluta de Deus. Sempre que a Igreja se afasta deste centro, mesmo conservando formas religiosas, ela se fragiliza, sempre que a ele retorna, ainda que pobre em meios, ela se renova com força invencível.
Confiamos, excelentíssimo, que este sínodo seja para a Arquidiocese do Rio de Janeiro uma autêntica Betânia espiritual. Que nele a tensão fecunda entre Marta e Maria seja finalmente reconciliada na unidade do amor, de modo que a ação brote da escuta e o serviço conserve o perfume da contemplação. Invocamos sobre Vossa Excelência, sobre todos os participantes do sínodo e sobre a inteira Igreja arquidiocesana, a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, que guardava todas as coisas, meditando-as em seu coração (cf. Lc 2,19), para que este tempo de graça produza frutos abundantes de santidade, unidade e fidelidade ao Evangelho.
Com estes votos, concedemos de coração a Nossa Bênção Apostólica, penhor de luz, fortaleza e paz no Senhor.
Dado em Roma, junto de São Pedro, sob o Nosso Anel do Pescador, no vigésimo terceiro dia do mês de janeiro do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis, segundo de Nosso Pontificado.


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