PRESIDIDA PELO CARDEAL DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 18 de setembro de 2025
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Veneráveis Cardeais,
Nesta noite, reunidos sob o olhar do Senhor, ouvimos com especial atenção a voz que ecoa através dos séculos, e que hoje nos interpela. As Escrituras, não são apenas palavras do passado, mas uma presença viva que nos convoca à responsabilidade e à fidelidade. Permito-me, portanto, extrair de cada leitura os trechos que nos concernem diretamente neste instante de discernimento.
A primeira leitura, de Isaías, apresenta o Messias como enviado para proclamar o ano da misericórdia do Senhor e o dia da vingança de Deus (Is 61, 1-2). Cristo, ao ser elevado na cruz, absorve a injustiça e a maldade humana, oferecendo ao mundo a misericórdia infinita do Pai. Este mistério da cruz e da ressurreição torna-se a pedra angular do Ministério Petrino: o Papa, sucessor de Pedro, é chamado a manter viva a memória do sacrifício redentor e a tornar presente a misericórdia de Cristo na Igreja e no mundo.
A primazia de Pedro não é privilégio pessoal, mas serviço supremo à unidade da fé e à propagação do Evangelho. O Papa, em sua função petrina, sustenta a comunhão da Igreja, garante a autenticidade da doutrina e, pelo Espírito Santo, exerce o munus de confirmar os irmãos na fé. Este serviço inclui a missão de discernir os tempos, guiar o rebanho de Cristo e proteger a Igreja contra os ventos da doutrina que, como bem advertia São Paulo, lançam a fé das ovelhas ao sabor das ondas.
A carta aos Efésios nos recorda a variedade de dons e ministérios concedidos pelo Ressuscitado para a edificação do Corpo de Cristo. Entre estes dons, o Ministério Petrino ocupa lugar singular: é dom de Cristo para a Igreja universal, para garantir a unidade da fé, a integridade da doutrina e a continuidade da missão evangelizadora. O Papa é como uma âncora espiritual: enquanto todos os outros ministérios auxiliam e alimentam, a primazia petrina sustenta, protege e dirige o Corpo místico de Cristo, mantendo-o unido e coerente na verdade e na caridade.
No Evangelho, Jesus nos revela a amizade que Ele nos concede: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15, 15). Esta amizade divina torna-se modelo do vínculo entre o Sucessor de Pedro e a Igreja: assim como Cristo confia os mistérios do Reino aos discípulos, o Papa recebe o encargo de preservar a fé, administrar os sacramentos e guiar o povo de Deus com amor pastoral e discernimento espiritual. A amizade com Cristo, que envolve comunhão de vontades, é o padrão pelo qual o Papa orienta e governa, não por imposição, mas pelo testemunho da verdade vivida em caridade.
O dinamismo cristão, descrito no Evangelho como o dom de dar fruto que permaneça, encontra na primazia petrina um eixo central: o Papa, enquanto pastor supremo, não apenas guia o rebanho, mas fomenta a santidade e o crescimento espiritual de cada fiel. A ação do Pontífice é sempre orientada à eternidade das almas, à edificação do Corpo de Cristo e à propagação do Evangelho em todas as nações. Cada decisão, cada encíclica, cada gesto pastoral visa manter o equilíbrio entre misericórdia e verdade, entre perdão e justiça, refletindo o modelo de Cristo crucificado e ressuscitado.
Assim, ao contemplarmos a ascensão de Cristo e a distribuição dos dons aos homens, compreendemos que o ministério papal é dom singular: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres trabalham em comunhão, mas a primazia de Pedro garante a unidade e a fidelidade ao depósito da fé. O Papa é servidor e guardião, mestre e guia, modelo de caridade e de coragem, capaz de conduzir a Igreja nos tempos de provação e de esperança.
Nesta hora de expectativa, elevemos ao Senhor nossa oração confiante: que, após o pontificado do Papa Pio III, nos conceda um pastor segundo o seu coração; que nos conduza com fidelidade ao conhecimento e amor de Cristo, que nos revele a alegria plena da amizade com Ele, e nos ensine a viver a fé madura, radicada na verdade e na caridade, produzindo frutos que perdurem para a eternidade.
Amém.
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