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Homilia do Cardeal Aldo Vittorio Maria Fisichella | Missa Pro Eligendo Romano Pontifice na III Sede Vacante do ano de MMXXV



HOMILIA DO CARDEAL ALDO VITTORIO MARIA FISICHELLA

SANTA MISSA PELA ELEIÇÃO DO ROMANO PONTÍFICE
PRESIDIDA PELO CARDEAL DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 18 de setembro de 2025
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Veneráveis Cardeais,

Nesta noite, reunidos sob o olhar do Senhor, ouvimos com especial atenção a voz que ecoa através dos séculos, e que hoje nos interpela. As Escrituras, não são apenas palavras do passado, mas uma presença viva que nos convoca à responsabilidade e à fidelidade. Permito-me, portanto, extrair de cada leitura os trechos que nos concernem diretamente neste instante de discernimento.

A primeira leitura, de Isaías, apresenta o Messias como enviado para proclamar o ano da misericórdia do Senhor e o dia da vingança de Deus (Is 61, 1-2). Cristo, ao ser elevado na cruz, absorve a injustiça e a maldade humana, oferecendo ao mundo a misericórdia infinita do Pai. Este mistério da cruz e da ressurreição torna-se a pedra angular do Ministério Petrino: o Papa, sucessor de Pedro, é chamado a manter viva a memória do sacrifício redentor e a tornar presente a misericórdia de Cristo na Igreja e no mundo.

A primazia de Pedro não é privilégio pessoal, mas serviço supremo à unidade da fé e à propagação do Evangelho. O Papa, em sua função petrina, sustenta a comunhão da Igreja, garante a autenticidade da doutrina e, pelo Espírito Santo, exerce o munus de confirmar os irmãos na fé. Este serviço inclui a missão de discernir os tempos, guiar o rebanho de Cristo e proteger a Igreja contra os ventos da doutrina que, como bem advertia São Paulo, lançam a fé das ovelhas ao sabor das ondas.

A carta aos Efésios nos recorda a variedade de dons e ministérios concedidos pelo Ressuscitado para a edificação do Corpo de Cristo. Entre estes dons, o Ministério Petrino ocupa lugar singular: é dom de Cristo para a Igreja universal, para garantir a unidade da fé, a integridade da doutrina e a continuidade da missão evangelizadora. O Papa é como uma âncora espiritual: enquanto todos os outros ministérios auxiliam e alimentam, a primazia petrina sustenta, protege e dirige o Corpo místico de Cristo, mantendo-o unido e coerente na verdade e na caridade.

No Evangelho, Jesus nos revela a amizade que Ele nos concede: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15, 15). Esta amizade divina torna-se modelo do vínculo entre o Sucessor de Pedro e a Igreja: assim como Cristo confia os mistérios do Reino aos discípulos, o Papa recebe o encargo de preservar a fé, administrar os sacramentos e guiar o povo de Deus com amor pastoral e discernimento espiritual. A amizade com Cristo, que envolve comunhão de vontades, é o padrão pelo qual o Papa orienta e governa, não por imposição, mas pelo testemunho da verdade vivida em caridade.

O dinamismo cristão, descrito no Evangelho como o dom de dar fruto que permaneça, encontra na primazia petrina um eixo central: o Papa, enquanto pastor supremo, não apenas guia o rebanho, mas fomenta a santidade e o crescimento espiritual de cada fiel. A ação do Pontífice é sempre orientada à eternidade das almas, à edificação do Corpo de Cristo e à propagação do Evangelho em todas as nações. Cada decisão, cada encíclica, cada gesto pastoral visa manter o equilíbrio entre misericórdia e verdade, entre perdão e justiça, refletindo o modelo de Cristo crucificado e ressuscitado.

Assim, ao contemplarmos a ascensão de Cristo e a distribuição dos dons aos homens, compreendemos que o ministério papal é dom singular: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres trabalham em comunhão, mas a primazia de Pedro garante a unidade e a fidelidade ao depósito da fé. O Papa é servidor e guardião, mestre e guia, modelo de caridade e de coragem, capaz de conduzir a Igreja nos tempos de provação e de esperança.

Nesta hora de expectativa, elevemos ao Senhor nossa oração confiante: que, após o pontificado do Papa Pio III, nos conceda um pastor segundo o seu coração; que nos conduza com fidelidade ao conhecimento e amor de Cristo, que nos revele a alegria plena da amizade com Ele, e nos ensine a viver a fé madura, radicada na verdade e na caridade, produzindo frutos que perdurem para a eternidade. 

Amém.


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