Imagem

Carta "Pax Vobis" | Dicastério para a Evangelização dos Povos


DICASTÉRIO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS
_____________

CARTA
Pax Vobis
em razão dos conflitos 
entre os povos

Venerados irmãs e irmãos, a paz esteja com todos vocês.

Com o coração inflamado pela esperança cristã, dirigimo-nos a todos os povos, nações e comunidades eclesiais espalhadas pela terra, neste tempo em que a humanidade é marcada por conflitos, violências e feridas profundas. Como discípulos do Ressuscitado, que entrou no cenáculo e anunciou aos apóstolos temerosos: “Paz a vós!” (Jo 20,19), também nós, como Dicastério da Santa Sé confiado à Evangelização, queremos proclamar uma palavra que brota do coração do Evangelho: Jesus Cristo é a nossa paz! (Ef 2,14)

A realidade atual mostra-nos sinais preocupantes: guerras prolongadas, perseguições religiosas, divisões étnicas e ideológicas, desrespeito à vida e à dignidade humana. Como nos recorda o Papa: “Toda guerra deixa o mundo pior do que o encontrou”. O anúncio da paz, portanto, não é uma utopia ou fuga da realidade, mas uma exigência evangélica.

A missão da Igreja é inseparável do anúncio da paz. Aquele que evangeliza deve ser sempre artífice da reconciliação, semeador de perdão, construtor de pontes entre os povos. A evangelização não é apenas a transmissão de doutrinas, mas o testemunho da vida nova em Cristo: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15), levando consigo não armas, mas a Boa Nova que liberta os cativos e consola os que sofrem (cf. Lc 4,18).

Ao longo da história, a Igreja, como Mãe e Mestra, soube erguer sua voz em defesa dos pequenos e promover a cultura do encontro. Nos tempos atuais, em que as redes sociais, os meios de comunicação e a polarização agravam as feridas do mundo, é preciso reaprender a linguagem do Evangelho, que é ternura, acolhimento, compaixão e verdade. Como afirmou São Paulo VI na Evangelii Nuntiandi: “A Igreja existe para evangelizar” (EN, 14), e evangelizar é, antes de tudo, levar Cristo aos corações.

A paz não se constrói sem evangelização. Onde o nome de Jesus é conhecido e amado, ali germina o amor que supera o ódio. Onde o Evangelho é escutado, meditado e vivido, ali a humanidade encontra nova esperança. A Igreja nos recorda que a evangelização é um ato profundamente político e social, pois transforma consciências, reconcilia os opostos e promove a verdadeira justiça.

Diante dos conflitos atuais – da guerra na Terra Santa, das tensões na África, dos gritos silenciados na Ásia, das divisões nas Américas e da secularização agressiva em tantas partes do mundo – renovamos o apelo: Evangelizemos com coragem, sem medo! “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16). A missão é urgente, pois o mundo tem fome de sentido, sede de paz, e necessidade vital do amor de Cristo.

Como disse o São João Paulo II: “O homem contemporâneo escuta mais facilmente as testemunhas do que os mestres” (Redemptoris Missio, 42). Por isso, não basta pregar: é necessário viver o Evangelho com autenticidade. Cada cristão, cada comunidade, cada paróquia e cada movimento deve ser um farol de luz no meio das trevas, uma semente de paz no solo da discórdia.

Convidamos, por fim, a todos os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, catequistas, leigos e missionários a fazer da Evangelização o coração de sua vocação. Que Maria, Estrela da Evangelização, nos acompanhe neste caminho. Que os mártires da fé, que regaram com o próprio sangue a semente da Palavra, intercedam por nós. E que o Espírito Santo nos fortaleça com seus dons para sermos, como Igreja, instrumentos vivos de paz e reconciliação.

Confiando esta mensagem ao coração dos povos, reafirmamos: “O Evangelho é a força de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1,16). Nele está a verdadeira paz que o mundo não pode dar.

Vaticano, quinze de junho,
do ano jubilar de 2025

+ Gofredo Card. Tadesco
Prefeito