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L'Osservatore Romano | As desafiantes nomeações de Urbano: elevação ao cardinalato de Dom Aldo Fisichella e a resistência




GIORNALE QUOTIDIANO • POLITICO RELIGIOSO

Città del Vaticano | Edizione del 27 maggio 2025

AS DESAFIANTES NOMEAÇÕES DE URBANO

ELEVAÇÃO AO CARDINALATO DE DOM ALDO FISICHELLA E A RESISTÊNCIA

Cidade do Vaticano – Em meio a um clima de crescente tensão nos bastidores da Santa Sé, o Papa Urbano presidiu, neste último domingo, a criação cardinalícia de Dom Aldo Vittorio Maria Fisichella, atual Prefeito da Casa Pontifícia, gesto que, segundo fontes próximas ao Vaticano, representa mais do que uma promoção eclesiástica: é uma reafirmação clara da autoridade pontifícia frente às resistências internas.

Fisichella é figura de confiança do Papa e conhecido por seu comprometimento com uma visão pastoral sólida, enraizada na tradição e na presença concreta da Igreja nos espaços da vida real. Sua elevação ao Colégio Cardinalício simboliza a continuidade de um projeto eclesial que une caridade ativa, disciplina doutrinal e fidelidade institucional.

Nos bastidores, porém, a nomeação não ocorreu sem atrito. Fontes curiais apontam que houve forte resistência por parte do Cardeal Ludone, Secretário de Estado e Camerlengo da Santa Sé, que teria tentado, com argumentos técnicos e vetos indiretos, impedir ou ao menos postergar a nomeação. A justificativa oficial girou em torno de “prudência estratégica”, mas interlocutores próximos à Secretaria de Estado relatam que o verdadeiro incômodo de Ludone é político: Fisichella pertence a uma facção eclesiástica que não responde ao seu círculo de influência.

A relação entre Ludone e o Papa tem se deteriorado progressivamente, especialmente pelo afastamento do Camerlengo da vida pastoral da Igreja. Em contraste com Urbano — que mantém uma agenda densa de celebrações, encontros e visitas apostólicas —, Ludone tem se concentrado cada vez mais na administração interna, evitando aparições públicas e optando pelo controle de bastidores. Tal ausência não passa despercebida, nem entre os fiéis, nem entre os bispos.

Segundo um assessor da Casa Pontifícia, “a criação de Fisichella mostra que o Papa não negocia o essencial: a autoridade sobre os rumos da Igreja. Quem trabalha pelo Evangelho tem lugar; quem administra o poder por si mesmo, não.” Em termos curiais, é um recado claro, ainda que não verbalizado diretamente: a Igreja não pode ficar refém de vetos silenciosos.

Dom Fisichella, em nota discreta, limitou-se a agradecer ao Santo Padre e reiterar seu compromisso com “uma Igreja fiel à sua origem e atenta aos clamores do tempo presente”. Urbano, mais uma vez, não disse palavra direta — mas agiu como sempre age: com firmeza, com calma, e com autoridade de quem sabe que o pastoreio também se faz com decisões que não agradam a todos.