L'Osservatore Romano | Urbanus: Quando o silêncio se faz Magistério




GIORNALE QUOTIDIANO • POLITICO RELIGIOSO

Città del Vaticano | Edizione del 05 aprile 2025

URBANUS
Quando o silêncio se faz Magistério

Vaticano, 05 de abril de 2025 – Na nobre moldura do Altar da Cátedra da Basílica Vaticana, sob o peso luminoso da Quaresma, Sua Santidade, o Papa Urbano, presidiu, nesta última sexta-feira, a Celebração Penitencial, conduzindo espiritualmente a Igreja rumo ao V Domingo da Quaresma, última celebração pública do Pontífice neste tempo litúrgico antes da Semana Maior.

A liturgia, envolta em austera dignidade, teve como centro meditativo as palavras dos Salmos penitenciais: “Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa misericórdia” (Sl 50) e “Das profundezas clamo a vós, Senhor” (Sl 130). Foi o Reverendíssimo Padre Giuseppe Orsini, Pregador da Casa Pontifícia e confessor pessoal de Sua Santidade, quem pronunciou as reflexões, marcadas por sobriedade e fulgor espiritual. “A voz que sobe das profundezas do homem penitente é a mesma que tocou o coração de Cristo no Getsêmani”, declarou o Reverendo Orsini. “E Vossa Santidade, com sua fé que não precisa exibir-se, torna-se espelho desta confiança incondicional em Deus" concluiu o Pregador da Casa Pontifícia.

O Papa Urbano não pregou. Mas falou com sua presença. Sua figura, estática em oração, recolhida em humildade, foi em si mesma a mais eloqüente exegese da penitência cristã. Sua liderança - discreta, firme, contemplativa - resplandece como luz em meio ao rumor dos tempos. Um Papa que não precisa elevar a voz para ser ouvido: sua santidade vivida impõe silêncio, escuta, reverência. Por toda a Cúria, entre bispos, cardeais, religiosos e fiéis, cresce um só sentimento: respeito que se converte em devoção, admiração que se transfigura em amor. A figura de Urbano, tão imersa no mistério de Cristo, tornou-se ponto de convergência de corações e consciências. O Cardeal Decano do Sacro Colégio Cardinalício, Dom Giuseppe Maria Scola assim expressou: “Ele não apenas nos conduz, ele nos faz querer estar próximos dele, como ao altar.” O populus circumfusum, que literalmente o cerca, não se limita ao povo reunido na Basílica. Trata-se de uma Igreja inteira, de todas as línguas e nações, que se vê atraída, espiritualmente e afetivamente, por um pontificado cuja força está em sua docilidade ao Espírito.

O V Domingo da Quaresma, que se aproxima, marcará não apenas o fechamento das celebrações públicas do tempo quaresmal conduzidas pelo Papa, mas também o auge simbólico de um ciclo espiritual que tocou profundamente o sensus fidei do Povo de Deus. Nestes domingos, e sobretudo nesta celebração penitencial, a Igreja contemplou em Urbano não apenas o Sucessor de Pedro, mas um homem de Deus que, silenciosamente, reacende no mundo a chama do sagrado.

Contessa Bianca Rinaldi di Sanseverino
Redattrice Vaticana – L’Osservatore Romano