DECRETO
pelo qual se determina a inserção das
palavras consacratórias
I. NATUREZA
DA SANTA MISSA E FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
1. A celebração da Eucaristia é o memorial do
sacrifício pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual Ele mesmo se faz
presente sob as espécies do pão e do vinho, perpetuando sacramentalmente a sua
entrega redentora na cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1322–1405).
2. A instituição da Eucaristia está atestada
nos Santos Evangelhos:
“Enquanto
comiam, Jesus tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu-o a seus
discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei; isto é o meu corpo.’ Em seguida, tomou o
cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: ‘Bebei dele todos, pois isto é o
meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos
pecados.’” (S. Mateus 26,26-28)
“Tomando
o pão, deu graças, partiu-o e deu-o a eles, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é
dado por vós; fazei isto em memória de mim.’ Do mesmo modo, depois de comer,
tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é
derramado por vós.’” (S. Lucas 22,19-20)
“Tomou
o pão, deu graças e deu-lhes, dizendo: ‘Tomai, este é o meu corpo.’ Em seguida,
tomou o cálice, deu graças e deu-lhes, e todos beberam dele. E disse-lhes:
‘Este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.’” (S. Marcos 14,22-24)
3. São Paulo confirma a prática apostólica da
consagração e a sua importância na vida litúrgica da Igreja nascente:
“O
Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e, depois de dar
graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é por vós; fazei isto em
memória de mim.’ Do mesmo modo, após a ceia, tomou também o cálice, dizendo:
‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; todas as vezes que dele beberdes,
fazei-o em memória de mim.’” (1 Coríntios 11,23-25)
II. SOBRE A FORMA SACRAMENTAL E A SUA OBSERVÂNCIA
4. Conforme o ensinamento da Igreja, a validade da Eucaristia exige a utilização da forma própria do sacramento, ou seja, as palavras da consagração, pronunciadas por um sacerdote válido, na intenção de realizar o que a Igreja faz.
5. A forma sacramental, herdada da Tradição Apostólica, é imprescindível e não pode ser modificada, omitida ou substituída por fórmulas não aprovadas. Esta forma está inserida no centro da Oração Eucarística e corresponde ao mandato de Cristo: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19; 1Cor 11,24).
III.
APLICAÇÃO AO AMBIENTE DIGITAL (HABBLET)
7.
Considerando que em plataformas digitais como Habblet Hotel se realizam
encenações e simulações da vida eclesial por parte de fiéis católicos,
sobretudo jovens, com finalidades catequéticas, formativas ou devocionais, este
Dicastério estabelece que mesmo tais representações devem manter plena
reverência aos elementos essenciais da liturgia.
8.
Ainda que se reconheça que essas celebrações virtuais não têm eficácia
sacramental ontológica, têm, porém, grande alcance pedagógico e espiritual. Por
isso, devem conter, com fidelidade, as palavras da consagração, segundo o Missal
Romano, sem acréscimos ou omissões.
9. No contexto do Habblet, onde são representadas igrejas, capelas, paróquias e até dioceses virtuais, nota-se um grande empenho por parte de grupos e usuários católicos em transmitir a fé com zelo e criatividade. Tais expressões devem ser acolhidas e orientadas para que reflitam fielmente o ensinamento da Igreja, e não conduzam a interpretações errôneas ou desrespeitosas da liturgia.
IV. DAS DETERMINAÇÕES
10. Em toda celebração ou representação da Santa Missa no ambiente habbletiano — em igrejas virtuais, salas públicas ou privadas —, torna-se obrigatória a inserção completa das palavras da consagração, conforme os textos litúrgicos oficiais da Igreja, com base nos Evangelhos e no ensinamento de São Paulo.
11. Tais palavras deverão ser pronunciadas ou exibidas de forma clara, íntegra e com o devido destaque durante a representação da Oração Eucarística.
12. O uso das palavras da consagração deve sempre visar à edificação dos fiéis e à promoção da fé na presença real de Cristo na Eucaristia quer na realidade, quer no emprego das mesmas no ambiente virtual, sempre levando os fiéis ao cerne da evangelização.
13. É necessário distinguir com clareza entre representação litúrgica e celebração sacramental. Mesmo nas plataformas virtuais, os fiéis devem ser instruídos quanto ao valor simbólico dessas ações e à diferença entre o espaço virtual e a realidade sacramental da Igreja.

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