DOM GABRIEL PEDRO DE ALCÂNTARA DE ORLEANS E BRAGANÇA
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
PREFEITO DA SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO
E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
EM NOME DO SUMO PONTÍFICE,
O PAPA URBANO
INSTRUÇÃO LITÚRGICA PARA A
CELEBRAÇÃO DA SEMANA SANTA DA PAIXÃO DE
NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
A todos os irmãos e irmãs, graça e paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
- O MISTÉRIO PASCAL de Cristo é o fundamento central da fé cristã. Como afirma São Paulo, "se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria nossa fé" (cf. 1Cor 15,14). A cada Domingo, a Igreja revive semanalmente este sublime mistério da entrega de Cristo pela humanidade. Cada Eucaristia representa a participação no sacrifício pascal de Cristo.
- Durante o auge do ciclo litúrgico, na Semana Santa, somos chamados a recordar de maneira especial a Paixão, Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse recordar não se limita a um simples ato de memória, mas nos transporta para o momento histórico, fazendo-nos viver esses acontecimentos junto com Jesus e a comunidade. Assim, unimo-nos ao sacrifício de Cristo e, por consequência, ao sacrifício dos irmãos.
- O paralelo feito por Jesus entre a Páscoa judaica e o novo significado que Ele atribui a essa celebração, por meio de Sua entrega, leva a história da salvação à sua perfeição, introduzindo-nos na plenitude da graça que Deus Pai nos concede.
- Para uma celebração mais adequada desses grandes mistérios em nossa realidade virtual, e devido à dificuldade de muitos em conciliar as demandas desse tempo com as exigências, esta congregação, em nome de Sua Santidade o Papa Urbano, modificou o calendário da Semana Santa e da Paixão do Senhor, a fim de permitir que todos celebrem com devoção e fé o ponto culminante da vida litúrgica.
- Sendo assim, facultativamente celebremos a Semana Santa no ano de 2025 de 06 a 13 de abril.
Apresentam-se a seguir as orientações litúrgicas para que possamos viver com piedade e verdadeiro espírito de fé a entrega do Senhor por nós.
Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
- No Domingo de Ramos, a Igreja entra no mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor, no qual, ao entrar em Jerusalém, Cristo prefigurou Sua majestade. Os fiéis portam ramos como símbolo do triunfo real que Cristo, ao sucumbir na cruz, alcançou. Como disse o Apóstolo: "Se com Ele padecemos, com Ele também seremos glorificados" (cf. Rm 8,17). Deve-se ressaltar, na celebração e catequese deste dia, o duplo aspecto do mistério pascal.
- A celebração pode ocorrer em qualquer horário deste dia, inclusive desde a I Vésperas do Sábado que o antecede, seguindo uma das fórmulas previstas no Missal Romano: procissão, entrada solene ou entrada simples.
- A procissão inicia-se em uma igreja menor ou em outro local apropriado fora da Igreja, para onde se dirige a procissão. Os fiéis devem levar ramos que serão abençoados. A procissão faz parte do rito da Missa, sendo ela iniciada com este ato.
- Quando não for possível realizar a procissão fora da Igreja, a entrada do Senhor será celebrada dentro da Igreja, com a entrada solene antes da Missa principal, seguindo o esquema da primeira fórmula.
- Se for realizada a entrada simples, não se deve ler o evangelho da entrada em Jerusalém, substituindo-o pelo Ato Penitencial.
- É aconselhável preparar o templo para a celebração, colocando ramos no altar para relembrar a entrada gloriosa de Jesus e preparando um púlpito para a proclamação inicial do evangelho, seja na rua ou na porta da Igreja. Neste primeiro evangelho (entrada de Jesus em Jerusalém), pode-se utilizar velas e incenso.
- Para o segundo evangelho (da Paixão), na ausência de ministros ordenados, pode-se escolher pessoas para ajudar na proclamação do evangelho. No evangelho da Paixão, não se usa velas nem incenso. Após a proclamação da morte do Senhor, todos devem se ajoelhar, fazendo uma breve pausa. No final, diz-se "Palavra da salvação", mas não se beija o livro. A cor litúrgica é vermelha. Se conveniente, pode-se omitir as leituras e ler apenas o Evangelho da Paixão, conforme a decisão do celebrante.
Segunda, Terça e Quarta-feira da Semana Santa
- Os textos litúrgicos e bíblicos desses dias preparam os fiéis para o Tríduo Pascal. Durante esse período, Jesus e Seus discípulos estavam em preparação para a celebração da Páscoa judaica, a festividade mais significativa para o povo judeu. No entanto, Jesus já sabia que esses seriam os últimos dias de Sua vida terrena, e a Páscoa judaica daria lugar à Páscoa de Cristo, marcando Sua transição da morte para a ressurreição. Esses dias são chamados de "santos", pois é nesse período que a Misericórdia de Deus se revela de forma única e profunda.
- A piedade popular e a tradição cristã enriqueceram essas datas iniciais da Semana Santa, lembrando a prisão de Jesus, o encontro com Sua Mãe e os sofrimentos que Ela viveu ao longo de Seu caminho.
- Esses dias oferecem uma oportunidade para o povo cristão se envolver em diversas práticas de devoção, como procissões, vias-sacras, recitação do terço, entre outras expressões de fé popular. A cor litúrgica que marca esse período é o roxo.
Missa Crismal
- A Missa Crismal, presidida pelo Bispo junto ao seu presbitério, é a manifestação da unidade e comunhão dos presbíteros com seu Bispo. Nela, o santo crisma é consagrado e os outros óleos são benzidos, sendo usados nos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos.
- Para essa Missa, devem se reunir os presbíteros, que atuam como testemunhas e colaboradores do Bispo no ministério sacerdotal. A unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo na Igreja é claramente manifestada.
- A Missa Crismal deve ser celebrada preferencialmente na Quinta-feira Santa, pela manhã. Se for difícil reunir o clero e o povo nesse dia, ela pode ser antecipada, mas sempre próxima da Páscoa e com a Missa própria.
- A cor litúrgica é branca, e entoa-se o Glória. O altar pode ser ornamentado com flores.
Início do Sagrado Tríduo Pascal - Quinta-feira Santa, Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio
Missa Vespertina da Ceia do Senhor
- Nesta Missa, a Igreja inicia o sagrado Tríduo Pascal, comemorando a última ceia de Jesus, na qual Ele ofereceu Seu Corpo e Sangue a Deus Pai e entregou-os aos Apóstolos. Ele os mandou, e a seus sucessores no sacerdócio, que também os oferecessem.
- Faz-se memória da Instituição da Eucaristia, que perpetua entre nós, por meio dos sinais sacramentais, o sacrifício da nova Lei; da Instituição do sacerdócio, que perpetua a missão e o sacrifício de Cristo; e da caridade com que o Senhor nos amou até a morte.
- A celebração deve ocorrer preferencialmente ao fim da tarde ou início da noite. Se não for possível, que se celebre em outro horário, mas que termine antes das 00h.
- Segundo a tradição em nossa realidade virtual, é permitido celebrar esta missa desde as 21h da Quarta-feira Santa, onde não for possível na Quinta-feira, desde que, se mantenham todos os ritos celebrativos conforme o calendário litúrgico.
- Na Quinta-feira Santa, é proibido celebrar a Missa sem povo, exceto em situações especiais (na realidade habbliveana, deve haver ao menos um concelebrante ou assistente).
- O sacrário deve ser esvaziado e sua luz apagada antes da Missa. O altar da reposição deve ser preparado antes da celebração, fora do presbitério, para a adoração dos fiéis.
- O rito de lava-pés é opcional, devendo ser preparado com antecedência. É recomendada a utilização de incenso. A cor litúrgica é branca, e entoa-se o Glória, ornamentando a igreja com flores.
- Durante o Hino de Louvor, os sinos e campainhas devem ser tocados, mas depois ficarão silenciados até o Glória da Vigília Pascal.
- Ao final da missa, devem ser retiradas as flores, velas e demais ornamentos não essenciais da igreja. A cruz deve ser velada ou retirada, se possível.
- Exorta-se os fiéis a fazerem adoração diante do Santíssimo Sacramento durante a noite, conforme as circunstâncias.
Sexta-feira da Paixão do Senhor
- No dia de hoje, em que "Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi sacrificado", torna-se plenamente visível o que, por tanto tempo, foi anunciado de forma simbólica e misteriosa: a verdadeira ovelha substitui a figura da ovelha e, através de um único sacrifício, se cumpre integralmente o que as antigas vítimas representavam. A Igreja, ao meditar sobre a paixão de seu Senhor e Esposo e ao venerar a cruz, celebra o nascimento da Igreja a partir do lado de Cristo, que repousa na cruz, intercedendo pela redenção de toda a humanidade.
- A Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo devem ser comemoradas única e exclusivamente na Sexta-Feira Santa, embora, na prática, o dia todo seja dedicado a essa reflexão.
- De acordo com uma antiga tradição, a Igreja não celebra os sacramentos neste dia.
- É fundamental respeitar com devoção e fidelidade a estrutura da celebração da Paixão do Senhor, que consiste na Liturgia da Palavra, na Adoração da Cruz e na Sagrada Comunhão. Não é permitido modificar esta celebração por iniciativa própria.
- O altar deve estar completamente despojado: sem cruz, castiçais ou toalhas.
- O sacerdote e o diácono devem usar paramentos vermelhos, como os da Missa: o sacerdote com casula e o diácono com dalmática. Esses paramentos devem ser simples.
- O aspecto central dessa celebração é a leitura da Palavra de Deus, pois é nesse momento que o povo se reúne para vivenciar o mistério da Morte de seu Divino Mestre. Por isso, não se deve cortar ou omitir nenhuma leitura das Escrituras, seja de forma total ou parcial.
- Não se usa capa de asperges, nem paramentos de cor preta para a celebração litúrgica. Estes, no entanto, podem ser usados em outras cerimônias paralitúrgicas, conforme os costumes locais.
- Durante a celebração litúrgica, os bispos devem lembrar-se de que:
- Não se deve usar dalmática sob a casula;
- Não se usa anel;
- A Mitra deve ser completamente branca (a do Papa pode ter detalhes dourados);
- Não se deve usar báculo ou férula;
- Se o bispo for arcebispo ou tiver o direito de usar o pálio, ele não deve usá-lo.
Sábado Santo
- O Sábado Santo, ou Grande Sábado, foi descrito por alguns como "o dia mais longo", sendo um tempo de reflexão profunda, que pode se estender por toda a vida de cada pessoa. Não há celebrações litúrgicas neste dia; ele é considerado "alitúrgico", em que nos afastamos da Eucaristia, aguardando em silêncio, revivendo a tristeza e o luto dos apóstolos após a morte de Jesus.
- Em consonância com uma antiga tradição, a Igreja não celebra sacramentos neste dia, pois é o momento em que Jesus desce ao reino dos mortos para salvar a humanidade e conduzi-la para o céu, onde nos precede e nos espera com braços abertos. Lá, Ele encontra Adão, o primeiro homem, representando toda a humanidade. Ele o desperta, proclamando-lhe a mensagem de salvação, pois ninguém está excluído do Seu amor. Nesse ato, Jesus estabelece uma ponte entre o sepulcro e o Reino de Deus, carregando a poderosa arma da Cruz, pois "pela morte, Ele vence a morte."
- Preza-se neste dia, pela manhã, a celebração das Laudes, recordando o sofrimento da Santa 'Mãe de Jesus junto ao seu túmulo.
Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor
Solene Vigília Pascal
- Embora tenha início na noite de sábado, a Vigília Pascal é considerada uma parte integrante da liturgia do Domingo da Páscoa, celebrando a Ressurreição do Senhor.
- Segundo uma tradição muito antiga, esta noite deve ser dedicada ao Senhor, e a Vigília que nela se realiza, recordando a noite santa em que Cristo ressuscitou, é chamada “a mãe de todas as vigílias santas”. Nela, a Igreja permanece em vigilância, aguardando a Ressurreição do Senhor, e a celebra com os sacramentos da Iniciação cristã.
- Assim, os fiéis, conforme o alerta do Evangelho (Lc 12,35ss), devem estar com lâmpadas acesas, como aqueles que aguardam o Senhor, para que, ao retornar, os encontre vigilantes e os receba à Sua mesa. Mesmo quando celebrada antes da meia-noite, a Missa da Vigília é, de fato, a verdadeira Missa do Domingo da Páscoa.
- A Vigília Pascal deve ser obrigatoriamente celebrada durante a noite de sábado, iniciando-se após às 16h, horário das vésperas e início da noite. Contudo, é recomendável que a celebração ocorra após o pôr do sol, pois essa é a essência da celebração. Em qualquer caso, ela ocorre na Noite Santa.
- Quando não for possível celebrar a Vigília Pascal, deve-se realizar, em uma das noites da Oitava Pascal, a celebração da Luz e a Missa própria do dia da Oitava, de forma que o Círio Pascal seja abençoado. Onde o Círio Pascal não for abençoado, ele não deve ser colocado na igreja.
- A cor litúrgica deste dia é o branco.
- Preparem velas para todos os que participam da vigília.
- Para essa missa, prepare-se o Círio Pascal com seu suporte, a fogueira, as flores e a pia batismal, além de todos os outros elementos necessários para uma grande solenidade.
- Sempre que possível, o braseiro para a bênção do fogo novo deve ser preparado fora da igreja, em um local adequado. A chama do fogo novo deve ser forte o suficiente para dissipar as trevas e iluminar a noite.
- A procissão de entrada, com o povo adentrando na igreja, deve ser iluminada apenas pela luz do Círio Pascal. Assim como os filhos de Israel eram guiados de noite pela coluna de fogo, os cristãos agora são conduzidos pela luz de Cristo ressuscitado.
- A luz do Círio Pascal será gradualmente transmitida para as velas dos fiéis, enquanto as luzes elétricas permanecem apagadas.
- Ao final das leituras do Antigo Testamento, canta-se o “Glória in Excelsis Deo”, tocam-se os sinos conforme os costumes locais, faz-se a oração e seguem-se as leituras do Novo Testamento, incluindo a exortação do apóstolo sobre o Batismo, que simboliza a inserção no mistério pascal de Cristo.
- Em seguida, todos se levantam: o sacerdote canta, por três vezes, o Aleluia, aumentando gradualmente o tom de sua voz, e o povo repete-o. Com a leitura do Evangelho, é anunciada a Ressurreição do Senhor, que marca o clímax da liturgia da Palavra. A homilia, embora breve, não deve ser omitida.
- A terceira parte da Vigília consiste na liturgia batismal. A Páscoa de Cristo e a nossa são celebradas agora no sacramento. Quando não houver a cerimônia do Batismo ou a bênção da água batismal, a memória do Batismo é feita através da bênção da água, que será utilizada para aspergir os fiéis.
- Após isso, ocorre a renovação das promessas batismais, introduzida por uma palavra do celebrante. Os fiéis, de pé e com as velas acesas, respondem às perguntas. Em seguida, são aspergidos com a água, lembrando-lhes o Batismo que receberam.
- A Eucaristia, que forma a quarta parte da Vigília, é o seu ponto culminante, sendo o sacramento pleno da Páscoa, o memorial do sacrifício da cruz e a presença de Cristo ressuscitado. Ela consuma a iniciação cristã e antecipa a Páscoa eterna.
- Solicita-se que se use a Oração Eucarística I (Cânon Romano) síntese do mistério salvífico.
Missa do Dia
- "Este é o dia feito pelo Senhor; regozijemo-nos e exultemos nele!" (Sl 117). A liturgia deste domingo celebra a vitória da Ressurreição e nos lembra que uma vida plena se constrói a partir do dom de si mesmo e do serviço aos outros. A ressurreição de Cristo é o modelo perfeito que valida essa verdade.
- A cor litúrgica deste dia é o branco.
- Quando a Vigília Pascal foi celebrada e a água foi abençoada, ela será utilizada para aspergir os fiéis durante o Ato Penitencial deste dia. Caso a bênção da água não tenha ocorrido na Vigília Pascal, o rito de bênção da água será realizado neste momento.
- Após a Segunda Leitura, e antes da aclamação ao Evangelho, entoa-se a Sequência de Páscoa.
- Quando for celebrada a Oração Eucarística I, deve ser utilizado o "Infra actionem" próprio.
- O Círio Pascal deve ser colocado em um local de destaque, preferencialmente próximo ao ambão da Palavra, permanecendo ali durante todo o período pascal.
- Onde for costume, deve-se manter a tradição de celebrar as Vésperas Batismais no dia da Páscoa, realizando uma procissão até o batistério enquanto se cantam os salmos.
- Na Missa e nas Vésperas, ao final, acrescenta-se o duplo Aleluia ao "Vamos em paz", com a resposta: "Demos graças a Deus, aleluia, aleluia."
Que todos possam vivenciar as celebrações deste tempo sagrado com o coração profundamente aberto, com um espírito de verdadeira conversão e entrega a Deus. Que, ao participarmos de Sua morte e ressurreição, sejamos fortalecidos na esperança da vida eterna e na promessa de uma alegria plena, que transcende tudo o que conhecemos. Que, ao longo desta jornada pascal, possamos aprofundar nossa fé, renovar nosso compromisso com o amor e a fraternidade, e viver com maior intensidade a presença de Cristo em cada ação e decisão.
Dado em Roma, no Palácio da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, aos vinte e nove dias do mês de março do ano santo de dois mil e vinte e cinco. Sob a Tríplice Coroa de Urbano, Pontífice Máximo.
+ Gabriel Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança
Prefeito

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