L'Osservatore Romano | Luzes da Cátedra | O Papa Urbano e a Redescoberta do Ofício Divino





GIORNALE QUOTIDIANO • POLITICO RELIGIOSO

Città del Vaticano | Edizione del 05 februarii 2025

CIDADE DO VATICANO - O Papa Urbano tem nos oferecido algo que, talvez, estivéssemos precisando sem sequer perceber: o reencontro com a oração litúrgica da Igreja. Ontem à noite, o Pontífice presidiu as Completas com a Cúria Romana. Nada de extraordinário em termos de pompa, mas profundamente significativo: a Igreja, guiada por seu Pastor, entregando o dia a Deus na simplicidade dos Salmos. A cena, sóbria e ao mesmo tempo carregada de significado, reforça um dos traços mais marcantes deste pontificado: a valorização do Ofício Divino como expressão da vida orante da Igreja.

Vésperas Solenes da Apresentação do Senhor,
realizada na Capela Sistina.

Isso vem na esteira de outras celebrações que marcaram este início do Ano Santo da Esperança. No dia 2 de fevereiro, na Capela Sistina, o Papa rezou as Vésperas Solenes da Apresentação do Senhor. Antes disso, em 24 de janeiro, celebrou as Vésperas na Catedral da Sé, em São Paulo, reunindo o episcopado brasileiro. Há uma intencionalidade clara nesses momentos. Urbano não quer apenas presidir liturgias; ele quer nos fazer perceber que a Liturgia das Horas é um tesouro, um tesouro que é vivo e deve ser acessado.

Ao escolher celebrar as Vésperas e as Completas em momentos-chave, o Santo Padre não apenas fortalece a comunhão da Igreja com o seu Pastor, mas reintroduz o Ofício Divino na vida espiritual dos fiéis. Cada salmo e antífona se tornam ocasião de contemplação e redescoberta do Deus que fala ao seu povo.

Talvez tenhamos nos acostumado a ver a oração como algo mais individual, espontâneo, desconectado do ritmo da Igreja. Mas Urbano nos lembra que, desde os primeiros séculos, cristãos de todas as partes do mundo elevaram as mesmas palavras ao céu, a cada hora do dia. Há algo profundamente consolador nisso. Saber que, ao entoar o Nunc Dimittis nas Completas, estamos unidos a uma multidão de fiéis, santos e pecadores, que ao longo dos séculos colocaram suas vidas nas mãos de Deus ao findar de cada dia de trabalho.

A celebração Vésperas na Festa da Conversão de São Paulo
marcou a abertura do encontro de Sua Santidade com o Episcopado.

E, convenhamos, há uma beleza nesses momentos que vai além da teologia. A liturgia bem rezada é um espaço de silêncio e harmonia, onde até mesmo a alma mais inquieta pode encontrar descanso. Quando o Papa se detém nesses momentos, ele nos convida a redescobrir essa beleza, a experimentar como a oração da Igreja pode ser fonte de esperança.

No fim das contas, não se trata apenas de um resgate de uma prática litúrgica. Trata-se de uma catequese silenciosa. Urbano nos ensina, não com discursos, mas com a própria oração. Nos ensina que a esperança cristã não se alimenta de palavras vazias, mas de um encontro constante com Deus. E, talvez, ao rezar as Completas com o Papa, a Cúria tenha experimentado isso de uma forma nova: a certeza de que, ao final de cada dia, podemos nos abandonar à misericórdia divina e descansar em paz.