Livreto Celebrativo | Unção e Coroação de Sua Majestade, Otto I, o Sacro Imperador dos Romanos | Basílica de São Pedro

 

LIVRETO CELEBRATIVO

 
RITO DE UNÇÃO E COROAÇÃO
 
DE
 
VOSSA MAJESTADE IMPERIAL
OTTO I
 
PRESIDIDO POR
SUA SANTIDADE, O PAPA URBANO


✠ 

Basílica de São Pedro, Vaticano, IT

09.02.2025

I. Entrada Solene e Preparativos

Recepção na Basílica Vaticana

1. O Imperador adentra a Basílica de São Pedro, e em seu Átrio, é recebido pelo Decano do Colégio Cardinalício, que proclama a seguinte oração, diante do Imperador e da Comitiva Imperial: 

℣.: Deus omnipotens, in cuius manibus corda regum sunt, respice misericordia tua super servum tuum, Imperatorem. Deduc eum in iustitia, confirma eum in fide, et fac ut eius regimen divinae voluntatis tuae fulgor sit. Sub eius corona regnet pax, veritas et caritas, ad gloriam nominis tui et ad bonum populi tui. Per Christum, Dominum nostrum.
℟.: Amen.

O Decano, então, saúda o Imperador, e juntos adentram a Basílica, caminhando até a Sala das Bençãos, onde fará a preparação do Imperador para a Coroação.

Ritos Iniciais

1. O Papa entra na Basílica de São Pedro, seguido pelo Colégio dos Cardeais, Patriarcas, Arcebispos e Bispos.
2. O Arcebispo de Colônia, o Cardeal Secretário de Estado e o Camerlengo da Câmara Apostólica adentram a Basílica em procissão, acompanhados do Imperador Otto I, a Imperatriz Maria Sofia, o Rei dos Romanos Noah, e os Príncipes-Eleitores. Ao chegarem no presbitério, tomam os seus lugares.

O Santo Padre dá início ao rito, dizendo:
℣.: In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.
℟.: Amen.

O Santo Padre, de braços abertos, saúda o povo dizendo:
℣.: Dominus vobiscum.
℟.: Et cum spiritu tuo.

II. Juramento Imperial

4. Todos sentam-se. O Imperador Otto é levado para diante do altar, e assim permanece de pé. O Arcebispo de Colônia aproxima-se do púlpito e suplica ao Santo Padre para que realize a Coroação:

Card. RossiBeatíssimo Pai, Sua Majestade Imperial e Real, Imperador dos Romanos, Rei da Germânia, Lotaríngia e Itália, Rei da HungriaOtto von Hohenzollern-Habsburgo, com reverência fiel e obediente, pede diante de Vossa Santidade, que lhe conceda a Coroação, como símbolo de sua autoridade suprema naquele território.
5. O Santo Padre dirige-se à frente do Imperador, e se assenta. O Cardeal Camerlengo entrega ao Santo Padre o Livro dos Evangelhos e abre-o. O Imperador aproxima-se e ajoelha, colocando as mãos sobre os Evangelhos. O Cardeal Secretário de Estado apresenta a fórmula do juramento:

Imperador Otto: Eu, Otto I, pela graça de Deus e eleição dos Príncipes, Rei dos Romanos e futuro Imperador, juro guardar a Santa Igreja Romana, proteger a fé católica, promover a justiça e manter a paz e a unidade do Sacro Império. Assim me ajude Deus e Seus Santos Evangelhos.

O Imperador beija os Evangelhos e o Papa impõe as mãos sobre sua cabeça, concedendo-lhe a bênção. 

℣.: Deus omnipotens et aeternus, fons omnis auctoritatis et iustitiae, effunde super te, servum suum, Otto, plenitudinem sapientiae et fortitudinis. Dirigatur cor tuum timore Domini, fiant manus tuae instrumenta aequitatis et pacis, et benedicatur regnum tuum prosperitate et rectitudine. Per Christum, Dominum nostrum.
℟.: Amen.

III. Liturgia da Palavra

Proclamação do Evangelho

Enquanto canta-se a Laudes Imperiale, o Imperador dirige-se ao ambão, levando em mãos o Evangeliário. Após abrir o Livro dos Evangelho, é proclamada a Palavra:

Imperador Otto: Proclamatio et Evangelii Iesu Christi, secundum Marcus.

Naquele tempo, surgiu também entre os discípulos de Jesus uma discussão: qual deles seria o maior. E Jesus disse-lhes: “Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve. E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações; eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor, para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel”.

Imperador Otto: Verbum Domini.
℟.: Laus tibi, Christe.

O Imperador fecha o Sagrado Livro, e acompanhado dos cerimoniários, toma o assento novamente, defronte ao Pontífice.

Homilia

O Papa profere a homilia, exaltando as virtudes da realeza cristã e a responsabilidade do Imperador.

IV. Unção Sagrada

Terminada a homilia, o Santo Padre retoma o assento. O Arcebispo de Colônia, o Secretário de Estado e o Camerlengo, em procissão, tomam o Óleo do Santo Crisma do altar e dirijam-se até o Imperador. Chegando junto ao mesmo, o Arcebispo de Colônia unge o Imperador nos ombros, o Secretário de Estado no peito e o Camerlengo na testa com o Santo Crisma, dizendo:

Cardeais: Ungeat te Dominus oleo laetitiae et confirmet te gratia Spiritus Sancti ad gubernandum populum suum.

Após a unção, o Camerlengo apresenta as vestes imperiais, que são entregues ao Imperador, que será vestido, auxiliado pelos cerimoniários. Após a vestição, o Pontífice dirige-se até o Imperador, e tomando o Santo Crisma, unge as mãos do Imperador, que são cobertas em seguida com as luvas. 

V. Investidura e Entrega dos Insígnias Imperiais

Entrega da Espada Imperial

O Papa, sentado em seu trono, toma em mãos a Espada Imperial, previamente apresentada sobre o altar. Ele a abençoa solenemente, traçando o sinal da cruz sobre a lâmina, e a entrega ao Imperador, que está ajoelhado diante dele.

℣.: Accipe hanc gladium ad defensionem Sanctae Ecclesiae et Iustitiae. Ut eam recte et prudenter geras, iustos defendens, innocentes protegens et pacem Regni conservans.

O Imperador recebe a espada com ambas as mãos, beija-lhe o punho e a cinge ao lado esquerdo. Em seguida, faz o sinal da cruz sobre si mesmo.

Imposição do Orbe e do Cetro Imperiais

O Arcebispo de Colônia, acompanhado do Cardeal Secretário de Estado, aproxima-se do altar, onde repousam o Orbe e o Cetro Imperiais. O Arcebispo toma o Orbe em suas mãos e o apresenta ao Imperador, dizendo:

Arcebispo de Colônia: Accipe hunc Orbem, symbolum dominii quod Deus tibi super populos christianos committit. Sit regimen tuum iustum, et cor tuum ad pietatem inclinatum.

O Imperador recebe o Orbe e o segura com a mão esquerda, mantendo-o elevado por um instante, antes de entregá-lo a um oficial de sua Casa. O Cardeal Secretário de Estado toma então o Cetro Imperial, abençoando-o com uma breve oração. Ele o estende ao Imperador, dizendo:

Cardeal Secretário de Estado: Accipe hoc Sceptrum, signum auctoritatis regiae. Rege sapientia, iudica aequitate et protege eos qui tibi commissi sunt.

O Imperador segura o Cetro com a mão direita e inclina a cabeça em sinal de aceitação.

Imposição do Anel Imperial

O Papa toma em mãos o Anel Imperial, levantando-o diante da assembleia e abençoando-o. Ele então segura a mão direita do Imperador e coloca o anel em seu dedo anelar, dizendo:

℣.: Sigillum fidei tuae et signum officii tui. Hic anulus te admoneat foederis tui cum Deo et cum populo tibi commisso. Mane firmus in iustitia et constans in fide.

O Imperador beija o anel e cruza as mãos sobre o peito em reverência. Os Arcebispos de Colônia, Mainz e Trier se aproximam, reverenciam o Sacro Imperador, e osculam o anel.

VI. Coroação

Louvor e Coroação Solene

O Papa, assistido por Cardeais e Prelados, levanta-se de seu trono e aproxima-se do altar, onde repousa a Coroa Imperial. Durante este momento solene, um canto gregoriano pode ser entoado, como o Te Deum ou um hino apropriado.

O Imperador, trajando seu manto de coroação e já investido dos insígnias imperiais, aproxima-se e ajoelha-se diante do Papa. O Papa toma a Coroa Imperial em suas mãos, eleva-a por um instante e traça sobre ela o sinal da cruz, dizendo:

℣.: Benedicat Dominus hanc Coronam et eum qui eam accipit, ut sapienter regat, iuste iudicet et fortiter defendat populum sibi commissum.

O Papa então impõe a Coroa sobre a cabeça de Otto I, dizendo solenemente:

℣.: Accipe Coronam Sacri Imperii Romani. Concedat tibi Dominus sapientiam ad regendum, iustitiam ad iudicandum et fortitudinem ad protegendum Ecclesiam et fideles.

O Imperador inclina ligeiramente a cabeça em sinal de submissão a Deus e recebe a Coroa.

Entrega do Estandarte Imperial e Aclamação

Após a coroação, um oficial da Casa Imperial aproxima-se trazendo o Estandarte Imperial. O Papa o abençoa e o entrega ao Imperador, dizendo:

℣.: Accipe hoc Vexillum, symbolum officii tui protegere Christianitatem et pacem servare. Sit regnum tuum ductum iure et fide.

O Imperador ergue o Estandarte por um instante e o entrega a um porta-estandarte designado.

Neste momento, os Príncipes Eleitores, Duques, Condes e demais nobres presentes aproximam-se para prestar homenagem ao novo Sacro Imperador, inclinando-se diante dele e tocando respeitosamente sua mão direita.

O Camerlengo da Santa Igreja Romana, encarregado das proclamações solenes, adiantando-se no centro do presbitério, brada em alta voz:

Camerlengo: Vivat Imperator Otto Primus!

A multidão reunida dentro e fora da catedral responde em uníssono:

℟.: Vivat! Vivat! Vivat!

O canto do Laudes Regiae pode ser entoado enquanto os sinos da catedral dobram em júbilo e trombetas ressoam.

VI. Coroação da Imperatriz

Após a aclamação do Sacro Imperador, a Imperatriz Maria Sofia aproxima-se do trono, conduzida por damas da nobreza. Ela veste um manto ricamente adornado e um véu real. O Imperador, já coroado, estende-lhe a mão direita e a conduz diante do altar.

O Imperador toma a Coroa da Imperatriz, que repousa sobre o altar, e, voltando-se para Maria Sofia, diz em voz firme:

Imperador: Maria Sofia, uxor mea augusta, hodie coronata es Imperatrix. Sit haec Corona tibi signum honoris et officii, ut regnas mecum sapientia et rectitudine.

Dizendo isso, ele impõe solenemente a Coroa sobre a cabeça da Imperatriz. Maria Sofia inclina levemente a cabeça e, ao erguer os olhos, encontra o olhar do Imperador, que lhe oferece a mão. Ela a toma e ambos voltam-se para o povo. O Imperador aperta suavemente a mão da Imperatriz, e ambos se dirigem juntos ao trono, enquanto sinos ressoam e cânticos são entoados.

VII. Benção Final

O Papa eleva uma prece final, rogando a Deus que ilumine e fortaleça o novo Imperador, e concede a bênção apostólica:

℣.: Dominum Vobiscum.
℟.: Et cum spiritum tuo.

℣.: Sit Nomen Domini benedictum.
℟.: Ex hoc nunc et usque in saeculum.

℣.: Adjutorium nostrum in nomine Domini.
℟.: Qui fecit caelum et terram.

℣.: Et benedictio Dei Omnipotentis, Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper.
℟.: Amen. 
 
Encerra-se o rito e o Rei coroado sai em cortejo processional, com o Santo Padre e os demais clérigos até à sacristia.