URBANUS, EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
Exortação Apostólica
Pastores et Magistris
Sobre os bispos como príncipes da doutrina
e suas responsabilidades ministeriais.
e suas responsabilidades ministeriais.
Aos irmãos no Episcopado e a todos que esta lerem, saudação e bênção apostólica.
PREÂMBULO
Pastores do rebanho, os Bispos sabem que podem contar com uma graça divina especial no cumprimento do seu ministério. No Pontifical Romano, durante a solene Oração de Ordenação, o Bispo ordenante principal, depois de ter invocado a efusão do Espírito, que rege e guia, diz estas palavras: “Pai santo, que conheceis os corações, dai a este vosso servo, por Vós eleito para o Episcopado, que apascente o vosso povo santo, exerça de modo irrepreensível diante de Vós o sumo sacerdócio”. Deste modo, continua a ter cumprimento a vontade do Senhor Jesus, o Pastor Eterno, que enviou os Apóstolos, como Ele mesmo tinha sido enviado pelo Pai (cf. Jo 20, 21), e quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na sua Igreja até ao fim dos tempos.
A I Assembleia com o Episcopado
1. Em nosso espírito repercute sempre a palavra do Divino Redentor, dirigida a Pedro: "Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,15.17), e a do mesmo Príncipe dos Apóstolos, que exorta os bispos e sacerdotes do seu tempo: "Guiai o rebanho de Deus, que está entre vós, tende cuidado dele, tornando-vos sinceramente exemplares do rebanho" (1Pd 5,2.3). Meditando atentamente nessas palavras, quisemos nos reunir com todos aqueles chamados ao terceiro grau da ordem - que o fizemos em São Paulo, durante a I Assembleia Geral com o Episcopado.
Os trabalhos desta nossa Assembleia fizeram referência constante à doutrina sobre o episcopado e sobre o ministério dos Bispos, delineada pela tradição. Ao que pode nos parecer que a autoridade episcopal saiu deste encontro sinodal recuperada na sua divina instituição, confirmada na sua função insubstituível, valorizada nos seus poderes pastorais de magistério, santificação e governo, honrada na sua extensão à Igreja Universal, através da comunhão colegial, especificada na sua colocação hierárquica, confortada na corresponsabilidade fraterna com os outros Bispos relativamente às necessidades universais e particulares da Igreja e ainda mais associada em espírito de subordinada união e solidária colaboração com a Cabeça da Igreja, centro constitutivo do Colégio Episcopal.
2. Dispondo-me, pois, a entregar esta minha Exortação Apostólica, na qual recolho o patrimônio de reflexão maturado por ocasião da I Assembleia Geral com o Episcopado, do enriquecimento de pensamento e experiência pastoral havido nas proposições que nos foram apresentadas, dirijo a minha saudação fraterna e envio o ósculo de paz a todos os Bispos que estão em comunhão com esta Cátedra, confiada logo ao início a Pedro para que fosse garante da unidade e, como é por todos reconhecido, presidisse na caridade.
I
MINISTÉRIO DO BISPO
3. Com a citação evangélica “Jesus [...] constituiu Doze” (Mc 3, 14), o Magistério da Igreja introduz a doutrina sobre a índole colegial do grupo dos Doze dando-lhes como chefe a Pedro, escolhido dentre eles. De igual modo, através da sucessão pessoal do Bispo de Roma ao bem-aventurado Pedro e de todos os Bispos, no seu conjunto, aos Apóstolos, o Romano Pontífice e os Bispos estão unidos entre si como um Colégio
Esta união colegial entre os Bispos funda-se sobre a ordenação episcopal e a comunhão hierárquica; toca, pois, a profundidade do ser de cada Bispo e pertence à estrutura da Igreja como foi querida por Jesus Cristo. Ora, não se deve dizer que um Bispo nunca está só, enquanto permanece sempre unido ao Pai pelo Filho no Espírito Santo, há que acrescentar que ele nunca está só também porque encontra-se sempre e continuamente unido com os seus irmãos no episcopado e com aquele que o Senhor escolheu como Sucessor de Pedro.
4. O Bispo, ao receber sua ordenação, torna-se modelo e promotor também duma espiritualidade de comunhão, orientada com vigilante cuidado para construir a Igreja, de tal modo que tudo, palavras e obras, seja realizado sob o signo da submissão filial ao desígnio amoroso do Pai. Enquanto mestre de santidade e ministro da santificação do seu povo, o Bispo é efetivamente chamado a cumprir fielmente a vontade do Pai. A sua obediência deve ser vivida tendo por modelo – e não poderia ser doutro modo – a própria obediência de Cristo, que várias vezes afirmou ter descido do Céu não para fazer a sua vontade, mas a d'Aquele que O enviou (cf. Jo 6, 38; 8, 29; Fil 2, 7-8).
Seguindo as pegadas de Jesus, o Bispo é obediente ao Evangelho e à Tradição da Igreja, consegue ler os sinais dos tempos e reconhecer a voz do Espírito Santo no ministério petrino e na colegialidade episcopal. Obviamente todas as características de caráter apostólico, comunitário e pastoral da obediência presbiteral, se encontram, de modo mais saliente, na obediência do Bispo. De fato, a plenitude do sacramento da Ordem, que recebeu, coloca-o numa relação especial com o Sucessor de Pedro, com os membros do Colégio Episcopal e com a sua própria Igreja particular. Deve, portanto, sentir a obrigação de viver intensamente estas relações com o Papa e com os outros Bispos num vínculo íntimo de unidade e colaboração, correspondendo assim ao desígnio divino que quis unir inseparavelmente os Apóstolos ao redor de Pedro. Esta comunhão hierárquica do Bispo com o Sumo Pontífice reforça a sua capacidade de, em virtude do sacramento da Ordem recebido, tornar presente Cristo Jesus, Cabeça invisível de toda a Igreja.
5. Em estreita ligação com o compromisso que o Bispo tem de avançar incansavelmente pelo caminho da santidade vivendo uma espiritualidade cristocêntrica e eclesial, a assembleia sinodal colocou também a exigência sua formação permanente, que é uma exigência intrínseca da sua vocação e missão. De fato, em virtude dela é possível discernir os novos apelos com que Deus especifica e atualiza o chamamento inicial.
Não se trata, evidentemente, de realizar apenas aquela atualização adequada que se requer para um conhecimento real da situação da Igreja e do mundo, que permita ao Pastor estar inserido no seu tempo com mente aberta e coração compassivo. A esta boa razão para uma formação permanente atualizada, juntam-se motivações antropológicas, resultantes do fato que a própria vida é um caminhar incessante para a maturidade, e motivações teológicas que têm profundamente a ver com a raiz sacramental, com efeito, o Bispo deve guardar com amor vigilante o “mistério” que traz em si para o bem da Igreja e da humanidade.
6. Para isso, os padres sinodais sublinharam a utilidade de cursos especiais de formação, como os encontros anuais promovidos pelo Dicastério para os Bispos em favor dos Bispos de ordenação episcopal recente. Desejaram igualmente que breves cursos de formação ou jornadas de estudo e atualização, e também retiros espirituais para os Bispos fossem previstos e preparados.
Será conveniente que o próprio Dicastério para os Bispos tome a seu cargo a tarefa de prover à preparação e à realização de tais programas de formação permanente, encorajando os Bispos a participarem nestes cursos, para se obter deste modo também uma maior comunhão entre os Pastores em ordem a uma melhor eficácia pastoral em cada uma das dioceses.
II
DAS ASSEMBLEIAS COM O EPISCOPADO
7. A preocupação apostólica que nos leva a examinar cuidadosamente os sinais dos tempos e a fazer todo esforço para adaptar os meios e métodos do santo apostolado às circunstâncias e necessidades mutáveis de nossos dias, nos impele a estabelecer laços ainda mais estreitos com os Bispos para fortalecer nossa união com eles. Somos levados a isso não apenas pela reverência, estima e senso de gratidão que sentimos corretamente para com todos os nossos veneráveis irmãos no Episcopado, mas também pela responsabilidade muito pesada que foi colocada sobre nós como pastor universal, uma responsabilidade que nos obriga a conduzir o povo de Deus para pastagens eternas.
8. Portanto, é apropriado, especialmente durante a celebração do Ano Santo da Esperança, que essa convicção tenha se enraizado firmemente em Nós a respeito da necessidade e importância de fazer cada vez mais uso da assistência dos Bispos para prover o bem da Igreja Universal. Foi também a I Assembleia Geral que Nos instigou a estabelecer permanentemente uma Assembleia de Bispos.
9. O Sínodo dos Bispos, por meio do qual os epíscopos devem oferecer assistência mais eficaz ao Pastor Supremo, deve ser constituído de tal forma que seja: a) uma instituição eclesiástica central, representando todo o episcopado católico, por sua natureza perpétua e desempenhando sua função por um tempo e quando chamado.
Estas Assembleias têm, por sua própria natureza, a função de fornecer informações e oferecer conselhos. Elas também podem gozar do poder de tomar decisões quando tal poder lhe é conferido pelo Romano Pontífice.
10. Os objetivos gerais destes encontros deverão ser: a) promover uma união mais estreita e uma maior cooperação entre o Sumo Pontífice e os Bispos do mundo inteiro; b) zelar para que sejam fornecidas informações precisas e diretas sobre assuntos e situações que dizem respeito à vida interna da Igreja e ao tipo de ação que deve ser levada a cabo no mundo de hoje; c) facilitar o acordo, pelo menos sobre questões essenciais de doutrina e sobre o curso de ação a ser tomado na vida da Igreja.
11. Por experiência já consolidada, cada assembleia geral do Sínodo dos Bispos – de qualquer modo representativa do Episcopado – mostra de forma peculiar o espírito de comunhão que une os Bispos com o Romano Pontífice e os Bispos entre si, permitindo exprimir, sob a ação do Espírito, um profundo juízo eclesial sobre os vários problemas que preocupam a vida da Igreja. A Assembleia com o Episcopado é um acontecimento onde se torna particularmente evidente que o Sucessor de Pedro, no cumprimento do seu múnus, está sempre unido em comunhão com os outros Bispos e com toda a Igreja.
CONCLUSÃO
12. Pondo remate à nossa exortação, não nos podemos abster de reunir e repetir quanto desejamos se grave cada vez mais profundamente em vosso espírito, como programa da vossa vida e da vossa atividade. Somos sacerdotes de Cristo, por isso devemos dedicar-nos com todas as forças a que a redenção por Ele realizada tenha a mais eficaz aplicação em todas as almas. Consideradas as imensas necessidades dos nossos tempos, devemos empregar todo esforço para reconduzir a Cristo os irmãos desviados pelo erro ou obcecados pelas paixões; para esclarecer os povos com as luzes da doutrina cristã, para guiá-los segundo os preceitos do evangelho e incutir-lhes uma consciência cristã mais perfeita, para, finalmente, incitá-los à luta pelo triunfo da verdade e da justiça.
Diletos filhos, tende em sumo conceito a graça da vossa vocação, e vivei-a de modo que produza copiosos frutos, para edificação da Igreja e para a conversão dos seus inimigos.
13. No termo das reflexões exaradas nestas páginas, damo-nos conta de quanto o tema da I Assembleia com Episcopado encaminhe cada um de nós, Bispos, ao encontro de todos os nossos irmãos na Igreja e de todos os homens e mulheres da terra. A eles nos envia Cristo, como um dia enviou os Apóstolos (cf. Mt 28, 19-20). Tarefa nossa é ser de maneira eminente e visível, para cada pessoa, um sinal vivo de Jesus Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor.
14. Se Maria a todos ama com terníssimo amor, de modo todo particular ela prefere os ministros ordenados, que são a imagem viva do seu Jesus. Reconfortai-vos ao pensamento desse amor da Mãe Divina a cada um de vós, e se tornarão para vós mais fáceis as fadigas da vossa santificação e de vosso ministério.
Ela, que no Cenáculo sustentou a oração do Colégio Apostólico, nos obtenha a graça de nunca faltar à dádiva de amor que Cristo nos confiou. Testemunha da verdadeira vida, Maria brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante – e por isso em particular para nós, que somos os seus Pastores – até que chegue o dia do Senhor.
Dado em Roma, junto do túmulo do Apóstolo Pedro, sob o selo do Pescador, no dia 07 do mês de Fevereiro, no Ano Santo da Esperança de dois mil e vinte e cinco, primeiro de Nosso Pontificado.
✠ Urbanus, Pp.
Pontifex Maximus
Ego scripsi,
+ D. Daniel Card. DiNardo
Vigário-Geral de Sua Santidade para a Cidade de Roma

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