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Diretório da Comissão Apostólica do Ministério Laical | Orientações para a Renovação Pastoral e a Valorização dos Leigos na Igreja


COMISSÃO APOSTÓLICA DO MINISTÉRIO LAICAL

ORIENTAÇÕES PARA A RENOVAÇÃO PASTORAL
E A VALORIZAÇÃO DOS LEIGOS NA IGREJA

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"Que cada leigo seja acolhido, escutado, e motivado a servir conforme os dons e talentos que recebeu de Deus" (Papa Augusto)


I. PROÊMIO 


A Igreja, fundada por Cristo como sacramento universal de salvação, é chamada a viver em comunhão e a testemunhar sua missão evangelizadora em todos os tempos e lugares. No seio dessa comunhão, o Povo de Deus constitui-se em uma diversidade de carismas, ministérios e vocações, unidos pelo Batismo e nutridos pela Eucaristia. Entre os membros da Igreja, os leigos são especialmente chamados a levar o Evangelho às realidades temporais, santificando o mundo com sua presença e ação. 


No entanto, a cultura clericalista, ainda enraizada em certas práticas e estruturas da vida eclesial, permanece como um obstáculo à plena integração dos leigos na missão da Igreja, relegando-os a uma posição de mera passividade. Essa mentalidade enfraquece a própria ação apostólica e  evangelizadora da Igreja, que necessita da ação conjunta de todos os batizados. Como exorta o Santo Padre, o Papa Augusto, em sua Carta Encíclica Dignitas et Vocatio Laicorum, os leigos e leigas são chamados, na suas singularidades e tarefas, "a compartilhar o apostolado da Igreja".  


Assim, inspirados na riqueza das contribuições do Magistério, especialmente nos ensinamentos do Papa Augusto, que, com sabedoria e zelo apostólico, convoca a Igreja a uma renovação pastoral, o presente Diretório, elaborado pela Comissão Apostólica do Ministério Laical, reflete sobre a participação dos leigos e leigas na vida eclesial, apontando avanços, desafios e propondo diretrizes sólidas para a superação das dificuldades identificadas. 


II. A CRISE DA COMUNHÃO: O ISOLACIONISMO DO CLERO E A MARGINALIZAÇÃO DO LAICATO

A realidade pastoral observada, no contexto anterior às reformas do Papa Augusto, revelou uma preocupante inclinação do clero ao distanciamento das realidades laicais. Inferiu-se a consolidação de uma "cultura palaciana", marcada pela autorreferencialidade clerical que restringia os espaços de participação dos leigos no seio da Igreja.


Essa dinâmica trouxe consequências alarmantes. A relação entre clérigos e leigos limitou-se, em muitos casos, a interações formais e esporádicas, incapazes de promover um verdadeiro espírito de comunhão. As pastorais laicais, por sua vez, encontravam-se inativas, carecendo de estímulo e acompanhamento. Tal realidade gerou uma Igreja funcionalista e pouco relacional, onde os serviços pastorais aconteciam sem uma verdadeira articulação. 


III. REFORMAS INICIAIS: ABRINDO ESPAÇOS PARA A RENOVAÇÃO PASTORAL

Atento a esse panorama, o Santo Padre, o Papa Augusto, implementou reformas que sinalizaram uma nova fase na vida da Igreja. Entre as medidas mais significativas, destaca-se a ereção canônica da Arquidiocese de São Paulo, iniciativa que permitiu uma descentralização pastoral e abriu caminho para uma maior inserção dos leigos na vida eclesial.


Essa decisão foi acompanhada pela criação da Comissão Apostólica do Ministério Laical, com a missão de realizar um diagnóstico profundo da situação, propor soluções concretas e acompanhar a implementação das reformas. 


Embora tenha havido avanços iniciais, como um tímido incremento na participação dos leigos em algumas pastorais, o impacto dessas ações ainda é insuficiente para transformar as estruturas e a cultura pastoral da Igreja.


IV. CAMINHOS PARA A RENOVAÇÃO: PROPOSTAS PASTORAIS PARA A INCLUSÃO E VALORIZAÇÃO DO LAICATO


A renovação pastoral exige uma mudança integral na vida da Igreja, envolvendo tanto o clero quanto os leigos em um processo de conversão espiritual e prática. Inspirados pelas palavras do Santo Padre, o Papa Augusto, que exorta os pastores a "não limitar, mas apoiar' os leigos, a Comissão propõe as seguintes diretrizes para promover uma Igreja mais dinâmica e participativa.


A primeira necessidade é a conversão pastoral do clero. Os sacerdotes e bispos devem abandonar práticas que alimentem o isolacionismo e clericalismo e assumir uma postura de abertura, acolhida e serviço. Como recorda a Encíclica Papal Vocatio Laicorum: “Não é vosso dever limitar, mas apoiar; não é vossa missão comandar, mas servir com mansidão e humildade.” Para isso, torna-se essencial investir em uma formação contínua, como momentos de retiro e aprofundamento espiritual, audiências, consistórios, que ajude o clero a compreender e valorizar o papel dos  leigos na missão da Igreja.


O fortalecimento das estruturas pastorais é outro passo essencial. As paróquias e dioceses devem ser equipadas com conselhos pastorais efetivos, nos quais os leigos tenham voz ativa e possam participar das decisões que afetam a vida comunitária. Além disso, as pastorais, muitas vezes negligenciadas, devem ser revitalizadas com o apoio do clero, que deve agir como guia e colaborador, e não como autoridade distante. Isso requer um esforço conjunto do clero e dos leigos para planejar, executar e avaliar as ações pastorais de maneira integrada.


A valorização do protagonismo dos leigos é a terceira dimensão dessa renovação. É indispensável que a Igreja reconheça os carismas e talentos dos fiéis leigos, incentivando sua atuação nos diversos âmbitos da Igreja. Para isso, propõe-se a criação de escolas de formação catequética e pastoral, destinadas a preparar os leigos para exercerem suas responsabilidades com competência e confiança.

Por fim, a Igreja deve promover eventos voltados para os leigos, criando espaços de encontro, formação e espiritualidade. Momentos de oração comunitária, congressos, Jornadas Mundiais da Juventude, sínodos, retiros e encontros pastorais são iniciativas indispensáveis para alimentar a comunhão eclesial.

VI. CONCLUSÃO

A renovação pastoral e missionária da Igreja passa, necessariamente, pela redescoberta do papel central dos fiéis leigos em sua vida e missão. O apelo do Papa Augusto à conversão pastoral e à superação do clericalismo ressoa como um chamado profético, que exige coragem, humildade e uma profunda abertura ao Espírito Santo.

Que a intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja, inspire-nos a caminhar juntos como irmãos, promovendo uma Igreja viva, aberta e fiel à sua missão de anunciar e dar testemunho de Cristo no orbe habbletiano.

O Sumo Pontífice Augusto aprovou o presente Diretório e ordenou a sua publicação no dia 20 de Novembro de 2024.

Dado em Roma, junto a São Pedro, aos vinte dias do mês de novembro do Ano do Senhor de dois mil e vinte e quatro, sob o pontificado de Augusto.

In Christus,

+ Giovanni Battista Card. Rè

Presidente da Comissão Apostólica