
DOM AGNELO CARDEAL ROSSI
por mercê de Deus e da Sé Apostólica
CARDEAL-BISPO DE PORTO SANTA RUFINA
CAMERLENGO DA CÂMARA APOSTÓLICA E,
PREFEITO DO DICASTÉRIO PARA O CLERO
A todos que lerem esta Petição,
saudações e bênçãos em Cristo Nosso Senhor.
À Sua Eminência, Dom Gabriel Cardeal Orléans e Bragança,Prefeito do Dicastério dos Institutos de Vida Consagradae Sociedades de Vida Apostólica, e ao Pró-Prefeito, Dom Felipe Neri.
Com a gravidade e a solenidade que esta matéria requer, eu, Dom Agnelo Cardeal Rossi, na augusta posição de Prefeito do Dicastério para o Clero, dirijo-me a Vossa Eminência e a Vossa Excelência para expor e solicitar providências urgentes e inadiáveis a respeito da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), que, por seu comportamento temerário e escandaloso, tem semeado confusão, divisão e heresia entre os fiéis da Santa Igreja de Deus.
É com dor e profundo pesar que venho denunciar o estado de rebeldia e insubmissão desta Fraternidade, que repetidas vezes, de modo notório e público, tem demonstrado uma gritante falta de comunhão com o Sagrado Colégio Apostólico, afrontando as sacrossantas decisões do Vigário de Cristo na Terra, especialmente no que concerne às nomeações e à sagrada obediência devida ao Romano Pontífice. Consta em diversas ocasiões que a FSSPX se posicionou de maneira injuriosa, caracterizando-se por um espírito altivo e por uma disposição desdenhosa para com a autoridade legítima da Santa Sé.
Esta desobediência e falta de humildade, que lhes tem sido habitual, alcançou o seu ápice quando, em sua plataforma pública, a Fraternidade se levantou contra o próprio Estado do Vaticano, em clara e insolente oposição às diretrizes do Santo Padre. Notório exemplo é a infame "Declaração sobre o Cardeal Orsini" de 02 de agosto de 2024, onde, com palavras arrogantes e afrontosas, o superior da Fraternidade teve o atrevimento de desprezar a declaração de anátema proferida pelo saudoso Papa Gregório I, afirmando que a Fraternidade não deve ser "um instrumento de desordem, bagunça e rebeldia". Tal declaração é uma afronta vil e direta ao Colégio de Cardeais, representando um ato abominável e sem precedentes de contumaz desprezo pela dignidade dos purpurados da Santa Igreja de Cristo.
Em data de 08 de agosto, cumulado com a responsabilidade do ofício de Vice-Camerlengo da Câmara Apostólica e tomado de justa preocupação, encaminhei uma carta a este Dicastério dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica e ao superior-geral da Fraternidade, Monsenhor Bruno Maria Sartori, na qual expressei minha profunda inquietação e indignação com os atos e palavras do Monsenhor Molski. Afirmei, naquela ocasião, e reafirmo agora, que as ações do reverendo Molski excedem os limites da sã razão, pondo em dúvida, inclusive, suas faculdades mentais, pois é evidente a ofensa perpetrada contra os superiores da Igreja (cân. 1373), além de difamação (cân. 1390 §2), heresia e apostasia (cân. 1364). No aludido documento, exigi retratação pública da Fraternidade e solicitei ao Dicastério competente uma rigorosa investigação dos fatos, o que, lamentavelmente, não foi atendido de maneira adequada, resultando em inércia.
Porém, inesperadamente, recebi uma resposta de Sartori que nos causou espanto e assombro.
Em sua missiva, o prior da Fraternidade corroborou o comportamento do Padre Molski, afirmando, de modo revoltante, que "ele não estava errado no centro do que disse". Mais ultrajante ainda, na mesma declaração, o superior-geral confessa uma perigosa dissidência da doutrina católica, ousando desafiar a legitimidade do Concílio Vaticano II, e, de maneira lamentável, referindo-se a este venerável Concílio como "uma simples assembleia partidária, um comício circense. A arrogância chega ao cúmulo de afirmar que "a Fraternidade rejeita o Concílio Vaticano II, sua reforma litúrgica protestantizada, seus sacramentos bastardos e sua doutrina torpe, subjetiva e opaca", o que constitui não apenas um desafio frontal, mas uma verdadeira declaração de guerra contra a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, cuja doutrina sempre foi, é, e será cristalina, objetiva e imutável.
A situação é ainda mais agravada pela publicação recente em que a Fraternidade ataca o decreto Honorare Traditio Ecclesiae, promulgado pelo Dicastério do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, sob a autoridade do Cardeal Fernando Bórgia, O.S.B., onde o superior, de modo iníquo, rotula o rito da Santa Missa de "rito cismático", em mais uma tentativa vil de desestabilizar a sagrada unidade da liturgia da Igreja. A abominável afronta continua, onde o superior-geral da Fraternidade ofende de forma desrespeitosa a memória de Santos Pontífices, incluindo São João XXIII, São Paulo VI, Beato João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, como se fossem "miseráveis e retardados", defendendo a figura excomungada de Marcel Lefebvre, reiterando a "rejeição completa ao Concílio Vaticano II, seus documentos e ritos, que são bastardos, fruto de uma união adúltera entre catolicismo e liberalismo". Tal posição é inadmissível e profana o espírito da Santa Igreja, trazendo consigo o veneno da heresia e da divisão.
Diante da gravidade dos fatos expostos, é imperioso que o Dicastério dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica intervenha com máxima urgência e adote medidas severas e exemplares contra esta Ordem religiosa, cuja insubordinação e heresia são agora notórias e declaradas publicamente. A Santa Igreja de Cristo, em sua sacrossanta dignidade e infalibilidade, não pode tolerar em seu seio rebeldes que rejeitam as decisões do Sacrossanto Concílio, incorrendo, assim, na condenação dos cânones da Igreja e na ofensa ao Corpo Místico de Cristo. Se tal rebeldia e dissidência não forem contidas com a devida firmeza, corremos o risco de ver a desordem se espalhar, como um câncer que corrói a unidade e a paz eclesial.
Assim, exorto e conclamo a agirem prontamente, para o bem da fé e da salvação das almas, tomando providências adequadas contra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que esta seja chamada ao caminho da obediência e da comunhão com a Santa Sé, sob pena de se incorrer em censuras e penalidades canônicas apropriadas. Se, porém, continuar esta perniciosa inércia diante de tão grave afronta à unidade da Igreja, este Dicastério para o Clero recorrerá ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica contra os padres Bruno Sartoni e Molski, a fim de que se faça justiça e a sã doutrina seja defendida de todos os ataques que lhe têm sido dirigidos.
Dom Agnelo Cardeal Rossi
Prefeito do Dicastério para o Clero
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Declaração sobre o Cardeal Orsini:
https://fsspx-blet.blogspot.com/2024/08/declaracao-sobre-o-cardeal-orsini.html
Missiva a Fraternidade Sacerdotal São Pio X:
https://santa-sehabblet.blogspot.com/2024/08/camara-apostolica-missiva-fraternidade.html
Resposta à missiva de S. Eminênicia Reverendíssima Dom Agnelo:
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Os gritantes erros do decreto "Honorare Traditio Ecclesiae":
https://fsspx-blet.blogspot.com/2024/08/os-gritantes-erros-do-decreto-honorare.html
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