Sermão de Sua Eminência Dom Geraldo Cardeal José | Celebração da Paixão de Nosso Senhor com o Papa

PREGAÇÃO DE SUA EMINÊNCIA DOM GERALDO CARDEAL JOSÉ

 CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR

Santo Sepulcro, Jerusalém
Quarta-feira, 27 de março de 2024
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Beatíssimo Pai,
Estimados irmãos no ministério ordenado e na vida consagrada,
sobretudo Sua Beatitude, Cardeal Enrico Rivera, anfitrião desta casa,
e Queridas irmãs e irmãos, mulheres e homens de boa vontade.

Reunidos diante do Santo Sepulcro, unidos à Pedro, o Mistério da Paixão de Cristo, é nada mais, nada menos, que experimentarmos mais uma vez aquele dia em que o próprio Senhor se fez juiz e vítima. Deixando-se levar pelos soldados, Jesus se apresenta como fiel ao mandato de seu Pai. Entregando-se ao poder temporal, Ele se mostra plenamente homem. Esvaindo-se no caminho, Ele demonstra sua necessidade de vivenciar a dor humana em seu âmago e experimentar na pele como diversos irmãos e irmãs eram tratados naquele tempo. "Naquele tempo" é a introdução de quase todas as leituras evangélicas em nossas celebrações Eucarísticas, contudo, hoje não há essa introdução. O tempo em que o próprio Cordeiro se imola é o hoje. A Paixão de Jesus permanece acontecendo nos dias atuais, em que seus filhos e filhas experimentam a dor de serem entregues ao poder temporal e sofrerem, muitas vezes injustamente, por falsos crimes que lhe são imputados. Colocando-se no lugar de Barrabás, Cristo assume verdadeiramente sua missão de se pôr no lugar e se fazer lugar de todos os filhos e filhas de Deus, afinal a etimologia do nome do famoso bandido e assassino se configura em "Bar", que significa "filho" e "Abá" que significa "Pai".

IESUS NAZARENUS, REX IUDEORUM (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Foi escrito acima da cabeça de nosso Salvador. Um rei foi crucificado. Nos dias atuais, diversos são os crucificados por um sistema que cada vez mais busca excluir, silenciar e matar as vozes que se erguem em prol da libertação dos povos. Quase nada mudou. Contudo, o convite a testemunhar a vitória da Cruz, estandarte de todo o universo católico perpetuou-se nestes duzentos e um séculos. Na alvorada do século XXI experimentamos a dor da pandemia da COVID-19. E novamente testemunhamos os poderes temporais tentando, de toda maneira, excluir quem deveria ser o centro. O convite da cruz é que o pequeno seja levantado para o bem de todos. Diversos de nós perdemos entes queridos pela doença. Mas alguns poderiam ter sido salvos, se o poder temporal tivesse se rendido ao poder eterno. Não dá mais para lavar as mãos perante injustiças e maldições. É preciso que nós, povo católico, seguidor do Cristo Pobre, Humilde e Crucificado, assumamos a liderança em um mundo recheado de más gestões, para que possamos direcionar todo o povo para o único lugar que salva: o peito aberto de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao celebrarmos esta Paixão e Morte, façamos este compromisso com Aquele que nos ama como ninguém nos amou. Que se entregou por todos e por cada um. Amém.


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